Misericórdia do Fundão abre posto de colheitas de análises clínicas e posto de testes Covid 19

A Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) em parceria com o Centro Laboratorial «Germano de Sousa» abriu esta segunda-feira, dia 21 de setembro 2020, um posto de colheitas de análises clínicas. 

O mesmo situa-se na rua Agostinho Fevereiro, número 12, na travessa que liga a Praça do Município ao largo da Igreja e Praça Velha no Fundão. 

Destina-se a utentes, colaboradores, funcionários, dirigentes e irmãos da SCMF bem como à população em geral.

O posto de colheita de análises clínicas está aberto de segunda a sábado, das 8 às 13 horas. 

Além do posto de colheitas de todo o tipo de análises clínicas, a estrutura está apta a realizar eletrocardiogramas, exames MAPA e Holter.

O posto de colheita fará também testes Covid, sujeitos a marcação prévia, para o que deverá ligar para  910 643 478 ou 275 771 222

A abertura do novo serviço da SCMF enquadra-se na estratégia de enriquecimento e diversificação do portfólio de serviços e respostas de natureza social e de saúde da instituição.  

Pensar o Outono com saudades do Verão

Chegaram as primeiras chuvas e “já temos saudades” do bulício na Quinta. A criançada num sobe e desce constante. Gralhada sem fim, correrias por todo o lado e uma alegria contagiante até para quem apareceu de surpresa desconhecendo a existência de um campo de férias de Verão na Quinta Pedagógica do Fundão.

Este ano a pandemia covid 19 “limitou-nos a liberdade de movimentos e tolheu-nos a criatividade”. Mas as dezenas de crianças do Centro de Atividades e Tempos Livres da Santa Casa da Misericórdia do Fundão saíram a ganhar deste Verão atípico pois frequentaram a Quinta quase em exclusivo. 

“Fizeram passeios de burro e de póneis, escalada e colheram o milho”, entre outras atividades diz-nos Ricardo Marques da Quinta Pedagógica.

Às vezes a criançada recolhia à geografia delimitada para o campo de férias por forma a dar lugar às crianças e famílias de turistas que no roteiro de viagem á Beira Interior colocaram uma paragem e fruição na Quinta Pedagógica do Fundão.

“Entre quem aqui esteve, de junho a setembro, e quem veio pontualmente” para carimbar o passaporte de descoberta do território importa vincar o clima de “brincadeiras em segurança que caracteriza o trabalho da equipa de monitores da Quinta”.

Entre a cidade do Fundão e a serra da Gardunha os dias grandes permitiram, inclusivamente, realizar uma aula de zumba. Atualmente já se ouve falar das boas – vindas ao Outono.

Já se trabalha na idealização de outros jogos e abordagens à vida animal e no campo. 

Enquanto isso, mal o sol volte a espreitar a Quinta Pedagógica do Fundão promoverá a colheita de frutos de Outono.

AMDF assegura financiamento até 2026

A Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) viu aprovado com pontuação máxima o projeto de candidatura ao concurso nacional de contratos de patrocínio para o período compreendido entre 2020 e 2026.

Nos próximos seis anos a escola de ensino artístico da música da Santa Casa da Misericórdia do Fundão tem financiamento assegurado para continuar a desenvolver o projeto educativo no Fundão e no polo da AMDF em Penamacor.

Atualmente com mais de 500 alunos a AMDF iniciará o próximo ano letivo com a segurança e certeza necessárias para garantir a qualidade de ensino diferenciador permitindo-se abranger uma significativa faixa de população em idade escolar nas Comunidades Intermunicipais das Beiras e Serra da Estrela e da Beira Baixa.

Importa referir que a nossa escola de ensino articulado da música obteve pontuação máxima nos vários parâmetros de avaliação submetidos na candidatura aos novos contratos de patrocínio com o Ministério da Educação.

Entre os parâmetros mais pontuados sobressaem o projeto educativo, regulamento interno, resultados escolares dos alunos no ano letivo 2018- 2020 bem como no plano de atividades do ano letivo 2019-2020.

No conjunto das condições de financiamento as escolas estavam obrigadas a obter uma pontuação igual ou superior a 50 pontos e a AMDF contabilizou pontuação máxima em áreas como documentos pedagógicos do estabelecimento de ensino, estabilidade do corpo docente, estratégias de inserção da escola no tecido social e cultural envolvente, participação em atividades de índole cultural na região e evolução da oferta formativa e educativa.

Faleceu o irmão Américo Vaz

A mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) vem por este meio manifestar profundo pesar pelo falecimento do senhor padre Américo da Encarnação Vaz, um homem de bem e com uma fortíssima ligação à Misericórdia.

Américo da Encarnação Vaz era irmão da SCMF desde novembro de 1971. Presidiu à Comissão Administrativa da Instituição entre 2007 e 2009.

Posteriormente integrou, até 2019, a mesa administrativa liderada pelo atual provedor Jorge Gaspar.

Firme e de enormes qualidades humanas, Américo Vaz liderou os destinos da nossa Instituição num período de enorme exigência e conturbação.

Uma vida preenchida entre o ensino e a missão religiosa e social com enfoque nas paróquias de Valverde, Donas e Alcongosta, no arciprestado do Fundão.

Personalidade incontornável da vida do concelho do Fundão, Américo da Encarnação Vaz era um homem de misericórdia. Um humanista, gestor de equilíbrios e pilar da nossa Instituição.

Em 2009 o Município do Fundão condecorou-o com a Medalha de Mérito Municipal.

Nesta hora de tristeza a mesa administrativa da SCMF manifesta gratidão e reconhecimento pelas boas práticas de diálogo e disponibilidade do irmão Américo da Encarnação Vaz. Uma perda irreparável para toda a Irmandade da Misericórdia.

Nos últimos tempos Américo Vaz foi utente da SCMF no lar Nossa Senhora de Fátima. O Funeral de Américo da Encarnação Vaz realiza-se hoje às 19 horas no cemitério de Vale d´Urso, freguesia do Souto da Casa.

Ensino à distância não deixa saudades

Chegou ao fim o ano letivo 2019-20. Respiram de alívio, professores e alunos que desde março se obrigaram a desbravar caminho no sentido de garantir que o programa educativo seria integralmente respeitado e que ninguém ficaria para trás.

Foram semanas de enorme exigência para todos os agentes educativos. Ninguém esconde que foram três meses “de exaustão” para alunos, pais e professores.

O ensino artístico não foi exceção e na escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, até o diretor João Correia é categórico ao afirmar que “o ensino à distância não é a resposta e muito menos no ensino artístico”. Ainda assim, João Correia vinca “a oportunidade” de “todos percebermos que poderíamos aproveitar alguns recursos do ensino à distância como ferramentas para o nosso trabalho”.

Mas o ensino à distância “não é uma solução maravilha” desabafa a professora da classe de conjunto e formação musical na Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF). “Ninguém estava preparado para um desafio que nos obrigou a reinventarmo-nos”, descreve a docente habituada a ensinar música no coro, orquestra e outros grupos numerosos.

“Falar para câmaras sem rosto foi o pior de uma experiência” que colocou a nu a discrepância de condições de acesso ao estudo por parte dos alunos. “Nem todos dispunham de recursos informáticos”, acrescenta Milene Paulico quando vinca a dificuldade em acertar ritmos e timbre de vozes.

Também o professor de percussão e bateria na AMDF, Diogo Cabral, tem reparos a fazer. Além da necessidade de “corrigir posturaras e movimentos errados das mãos”, foi “muito mais difícil” explicar ritmos e técnicas novas pois não havia contacto presencial.

No caso da percussão a pandemia covid 19 e as aulas à distância teve ainda maiores repercussões nos alunos que não tinham em suas casas instrumentos como marimba, timbales. Instrumentos muito caros e volumosos que a generalidades dos estudantes não adquire. Valeu a espírito solidário da AMDF cedendo vários instrumentos a quem precisava de forma a tornar as aulas mais “normais” e rentáveis. 

Apesar dos condicionalismos o ano letivo foi produtivo diz-nos a professora Patrícia Carvalho para quem “os alunos corresponderam de forma empenhada”, registando-se até uma evolução global.

A professora de viola d`arco e violino identifica a dificuldade em corrigir posturas e a disparidade quanto à qualidade da internet como realidades que caracterizam um período de ensino anormal.

“Espero que o novo ano letivo nos devolva a normalidade”, afirma. “Seria desejável que esta situação estivesse ultrapassada e voltarmos às aulas presenciais”, acrescenta Diogo Cabral para quem a disciplinas prática, como o ensino do instrumento, “requer presença, contacto, explicação visual, observação”.

Sendo certo que o recurso ao vídeo pode ajudar a corrigir a execução de uma peça, a verdade é que nenhuma das opções que caracterizaram o ensino à distância se equipara à partilha física de conhecimento e aprendizagem.

Agora que todos os agentes educativos respiram de alivio, convocamos os seguidores e admiradores do ensino artístico na AMDF a seguir o canal da nossa escola no you tube. https://www.youtube.com/channel/UCoLWrtOxyQYJ8yNnk9WKf2A

Boas Férias !

“Já não há pardais à solta”

Há quase um mês que o novo normal associado à pandemia covi19 tomou conta das creches e jardins de infância.  Também nestas respostas sociais da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) a nova vida teve inicio no dia 1 de junho.  Depois de semanas a reconfigurar e desinfetar espaços, em ações de formação com a entidade local de saúde e atentas às regras impostas pela Direção Geral de  Saúde (DGS), educadoras e auxiliares retomaram a arte do cuidar numa segunda-feira que teve tanto de novidade como de insegurança.

“Tivémos receio de em algum momento não conseguirmos concretizar todas as orientações e regras”, diz-nos Amélia Nunes coordenadora para a infância na SCMF.  “Estávamos muito inseguras e ansiosas pois nunca tínhamos trabalhado num contexto assim”, refere a diretora do Jardim de Infância.

Atentas às cerca de 60 crianças de várias idades, as profissionais de educação e auxiliares admitem que o facto de nem todas as meninas e meninos terem regressado à creche e pré-escolar lhes tem facilitado a missão de partilhar conhecimento e dinâmicas de forma mais exigente.

“O protocolo da DGS obriga-nos a estar em alerta permanente” quanto a todos os movimentos das crianças. “Estamos sempre muitos ansiosas” mas os constrangimentos sanitários trouxeram outras abordagens na iteração com as crianças. “Há mais movimento, brincadeiras e muitas palavras novas”, vinca Amélia Nunes.

“Todo o novo contexto acaba por entusiasmar-nos até na creche”. No Jardim de Infância a miudagem “conhece as regras e sabe que não pode deixar de lavar as mãos com frequência, entregar os brinquedos laváveis às educadoras”, acrescenta a educadora Paula Costa.

Ao telefone explica-nos como as notícias da covid 19 fazem parte das conversas das crianças mais crescidas.

Aliás, no jardim de infância este mês toda a comunidade educativa tem desenvolvido inúmeros trabalhos sobre “o bicho”. Eis algumas imagens!

A par da pintura e desenhos, todas as crianças alinham nas histórias, canções e lega-lengas adaptadas à covid 19.

“Oh Manel Tim Tim

Oh Manel Tim Tão

Se não queres apanhar covid

Tens de lavar as mãos”

“E de forma criativa, conseguimos manter todas as crianças bem-dispostas, desenvolvendo a componente lúdica e de expressão”, afiança Amélia Nunes.  “O distanciamento social continua a ser “o mais difícil de manter” pois o toque, o abraço está no íntimo das pessoas.

Depois a “obrigatoriedade de usarmos máscara privou as crianças do sorriso e da expressão facial, das gargalhadas”, comentam as educadoras.  “É através do olhar que conseguimos demonstra-lhes o nosso sentir  e estado de espírito”, conclui.

Ninguém sabe quando nos livraremos desta pandemia. Mas  uma coisa é certa, na SCMF  todas as educadoras e auxiliares observam  a perda de espontaneidade das crianças. “Os miúdos perderam a espontaneidade e alegria e já nem parecem pardais à solta. Ninguém pode estar à vontade!”

Na Maratona Teclista a partir de Casa

Motivação e curiosidade. Substancia quanto baste para que duas estudantes de piano na Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) aceitassem o desafio da professora Nataliya Unru e ocupassem o período de confinamento preparando a participação na iniciativa da Casa da Música intitulada “Maratona Teclistas Helena Sá e Costa”.

Não foi a primeira vez que alunos da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão participaram no evento, mas desta vez a maratona tinha a particularidade de ser através da internet.

Matilde Conceição e Margarida Pais juntaram-se aos mais de 400 participantes de todo o país executando em vídeo obras de Myroslav Shory e Joseph Sebastien Bach. O mesmo é dizer que além do estudo e prática das obras a apresentar ainda tiveram de treinar a componente de vídeo.

Nada de problemático para as duas adolescentes naturais da Covilhã e Tortosendo que desde o último fim-de-semana estão em todo o mundo através das plataformas da Casa da Música onde foi partilhado o concerto demonstrativo das interpretações em piano, cravo e órgão.

Matilde Conceição estuda na AMDF desde os 7 anos de idade, já está habituada a provas de fogo e à notoriedade que delas resulta. Em seis anos de aprendizagem orgulha-se de ter conquistado primeiros prémios em concursos internacionais de música no Fundão e Fátima bem como menções honrosas em competições realizadas em Madrid, Vila Nova de Gaia e Coimbra.

Margarida Pais estuda piano desde os 5 anos e através da AMDF aceitou “com entusiasmo” o desafio de participar na Maratona Teclistas on-line.

“Foi muito bom, a peça que interpretei era-me familiar, só tive de a trabalhar mais”, explicou a jovem que durante a pandemia covid 19 tinha participado com o primo Duarte Caninhas na composição de uma canção cuja letra original encaixou num tema bastante conhecido do músico Elton John.  “Can you Feel the Love Tonight” está disponível aqui Youtube.

Aqui Connosco

Aqui connosco é um registo das memórias marcantes de mais de dois meses de trabalho nos lares e centros de dia da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF). Um registo para recordar quando daqui a algum tempo alguém se lembrar que no ano bissexto 2020 o mundo inteiro foi e ainda está a ser assolado por um vírus que nos obrigou a mudar comportamentos.

Viver a pandemia covid 19 no universo das respostas sociais da SCMF tem significado desafio e receio. Receio pela saúde das centenas de utentes em lares e apoio domiciliário pois que os centros de dia ainda se encontram encerrados. Exatamente por causa do coronavírus.

É nesse universo de respostas a pessoas particularmente vulneráveis que centramos os testemunhos que se seguem e que correspondem à partilha de um estado de alma em que auxiliares de serviços gerais, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros e responsáveis técnicos de valências sociais nos dizem quão surpreendente tem sido trabalhar neste tempo de isolamento social e confinamento de utentes.

Ninguém estava preparado para lidar com esta pandemia.

Tânia Batista, assistente social há 17 anos e habituada a viver com o imprevisto que caracteriza a área social, observa o covid 19 como “um dos maiores desafios” que teve de enfrentar “enquanto profissional e também como ser humano”. 

“Está a ser feito um esforço acrescido por todos, para que nada falte àqueles idosos, a quem muito já lhes foi retirado, principalmente o seu bem maior, a presença física daqueles que mais amam”, vinca Tânia Batista.

Sara Alvarinhas é psicóloga na SCMF, dirige um dos lares da Instituição,  recorda “o dia em que comunicámos às famílias e aos nossos utentes que as visitas iriam ficar interditas”, como uma vivência “impactante” já que “o olhar destas pessoas transmitia um misto de medo, tristeza e uma saudade já anunciada”.

Numa altura em que continuamos sem saber o momento exato em que os utentes poderão recomeçar a receber visitas presenciais, Sara Alvarinhas sublinha que “continua a ser marcante para todos nós assistir, acompanhar e prestar o apoio que nos é permitido” num tempo de tantas dúvidas e incertezas.  

“Estamos num período em que a cada dia que passa reinventamos a personagem que há em nós”. Sobre a nova vida em que utentes e profissionais readaptam rotinas, obrigações e implicações”, a psicóloga clínica fala de “um desafio constante” que pode ser transformador: “Acredito que se cada um de nós olhar para esta fase como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento pessoal, todos nós sairemos mais fortalecidos e enriquecidos enquanto indivíduos, capazes de ser e estar de uma forma mais humana e saudável connosco e com os que nos rodeiam”, vaticina a também diretora técnica no Lar Nossa Senhora de Fátima.

Helena Brito dirige o Centro Comunitário Minas da Panasqueira e alinha pelo mesmo diapasão afirmando que “o incremento do espírito de união e entrega” à missão social que é cuidar de populações vulneráveis tem marcado a reação à pandemia. Enumerando a suspensão de visitas e entrada de pessoas no lar, localizado em Barroca Grande, como vivência marcante, Helena Brito vinca que “aquele foi o dia em nos demos conta da gravidade da situação e das consequências” para utentes e famílias. “Foi particularmente difícil para toda a equipa explicar aos utentes que a partir daquele momento não poderiam ver os seus familiares”.

Centro Comunitário Minas Panasqueira

O encerramento do lar e a suspensão de atividades no exterior, bem como a proibição de visitas também é destacado por Marina Abrantes. No entanto a diretora técnica no lar da Misericórdia realça como mais doloroso o falecimento de utentes sem que as famílias possam “despedir-se e velar o utente como seria normal”.

“Por vezes não tem sido fácil gerir os nossos sentimentos e emoções junto de equipas  que necessitam de muito apoio para seguir em frente, com todos os cuidados”, acrescenta Cristina Guedes socióloga e membro do Gabinete Social na SCMF.

Equipa de Apoio Domiciliário

Naquela estrutura transversal a toda a Instituição a chegada da pandemia não significou redução de atividade. Antes pelo contrário afiança Elizabete Reis técnica na mesma estrutura. “Por aqui tentamos transmitir positivismo, paz, esperança e muita tranquilidade, mesmo que no nosso interior reine o medo e a insegurança, que não podemos passar para o exterior”, explica-nos.

A importância e solidez das equipas na resposta humana

Uma e outra demonstram preocupação quanto ao estado de espirito das famílias e utentes da SCMF. “A maioria das vezes, os utentes, ficam em pânico pelo isolamento em que vivem”, descrevem as colaboradoras da Misericórdia sobre a vida das muitas dezenas de seniores que até ao início de março passavam os dias nos centros de dia entretanto encerrados.

Sendo certo que essa franja da população ilude a solidão nas horas do dia em que a SCMF continua a levar-lhes as refeições quentes, a verdade é que o resto do tempo dessas pessoas idosas é passado entre as paredes de casa, apenas na companhia da televisão.

O trabalho da SCMF junto do seniores que agora estão isolados em casa tem, em contexto de pandemia, maior importância pois aquelas pessoas são a única presença física desde há semanas.

Realidades que levam a sociedade a encarar as ajudantes de lar e auxiliares de serviços de geriatria como anjos que levam higiene, alimentação e um sorriso, mesmo que escondido atrás de uma máscara e de uma viseira.

“Não consideramos ser umas bravas contra o covid, até porque não estamos livres, mas conseguimos com o trabalho em equipa normalizar as rotinas tentando manter a saúde e bem-estar de todos”, considera Maria Abrantes.

Lar Misericórdia

“O espírito de entreajuda e dedicação” das equipas “tem ajudado a ultrapassar esta fase menos positiva”, acrescenta Helena Brito orgulhosa das mulheres e mães de família que abdicaram de estar em casa no apoio aos filhos para se dedicarem por inteiro ao bem-estar dos idosos.

São estas pessoas, as heroínas sem capa, que continuam a dar expressão e sentido à existência das Misericórdias.

Estudantes de Medicina interagem com Idosos

A futura médica e fundanense Mariana Ruão estabeleceu a ponte e os utentes da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) no lar da Misericórdia têm interagido com um grupo de futuros médicos.  Fazem-no no âmbito do projeto «VideoChamada com Idosos» que se desenrola com recurso a um computador portátil e uma aplicação informática que lhes permitem verem-se uns aos outros.

Estudam na Universidade de Coimbra, integram o Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra, desde há vários dias conversam pela internet com mulheres e homens institucionalizados no mais antigo lar da SCMF.

Carmina Gouveia, Isabel Alves, Maria José Jerónimo, Ofélia Horte, Joaquim Costa Santos e Florentino Lampreia estão entre os seniores que mais do que uma vez por semana dialogam com os estudantes de Coimbra.

Mariana Ruão ainda não teve essa oportunidade. Contudo não esconde a alegria de perceber como o projeto, iniciado com o começo do Estado de Emergência por causa da pandemia covid 19, tem acrescentado valor às pessoas de idade que estão fechadas nos lares.

“Os relatos que me chegam dão-nos conta de pessoas bastante conversadoras, simpáticas e confortáveis com a interação dos estudantes”, revelou ao Santos da Casa Mariana Ruão.

As palavras da estudante de 2º ano em medicina confirmam o entusiasmo da equipa de animação sociocultural no lar da Misericórdia. Maria João Rico afirma que mais de uma vez por semana e durante mais de uma hora, os estudantes universitários acrescentam vida aos dias dos utentes.

“Contam histórias de vida, dizem-lhes de onde são, estimulam-nos a falar-lhes das tradições e gastronomia dos territórios”.  São momentos de interação e estimulo cognitivo que também versam “música tradicional, adivinhas e provérbios”, descreve Maria João Rico.

“Os jogos de adivinhas, mímica e truques de magia”, geralmente têm muito boa aceitação por parte das populações residentes em lares, acrescenta Mariana Ruão satisfeita com o feedback positivo que lhes chega a partir das Estruturas Residenciais para Idosos.   

As saudades que o vírus impõe

Uma imagem vale por mil palavras. A frase do filósofo chinês Confúcio também está nos manuais de comunicação.  Esta corresponde às consequências do isolamento imposto pela pandemia covid 19. 

A imagem captada pelas colaboradoras de um lar na Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) diz respeito ao dia de aniversário de umas das quatro pessoas com mais de cem anos que vivem aos cuidados dos profissionais da mais importante organização social do concelho do Fundão.

A foto, em que a centenária Maria Lucinda Pereira se aproxima da porta de entrada (vista de dentro é a porta de saída) do lar Nossa Senhora de Fátima para observar a única filha viva, torna-se ainda mais poderosa por ter sido registada no dia 25 de Abril de 2020. Nesta data a centenária natural de Atalaia do  Campo,  e a morar no lar Nossa Senhora de Fátima desde 2010, completou 105 anos.

Desta vez a filha e o neto não puderam entrar no lar onde há cinco anos se reuniram com várias dezenas de pessoas para celebrar a vida.

Neste tempo em que a liberdade de movimentos foi obrigatoriamente condicionada a senhora Lucinda Pereira é apenas uma das muitas pessoas que desde o início do Estado de Emergência Sanitária em Portugal estão impedidas de receber nas Estruturas Residenciais onde moram a visita da família, dos amigos, dos voluntários agora proibidos de entrar nos lares para deixar sorrisos e palavras de esperança.

Esperança em dias melhores, com vistas para lá da vidraça de uma porta, é o que tantos e tantas idosas reclamam.

Nesta imagem, que se repete a cada dia especial nas estruturas residenciais para pessoas idosas da SCMF, revemo-nos enquanto vítimas de vírus que não deixará ninguém indiferente.

Nestas extensas semanas de confinamento em que muitos dias parecem anos, importa realçar a incomensurável dedicação e entrega de todos e todas as profissionais que em contexto de apoio social se têm reinventado para aproximar utentes e familiares.

As vídeo chamadas têm sido fundamentais. Das Minas da Panasqueira à Capinha, sem esquecer Aldeia de Joanes e o Fundão, em todos os lares da SCMF é frequente a realização de telefonemas com imagem por forma a atenuar a saudade entre seniores e suas famílias.

A Semana Santa e o Domingo de Páscoa foram intensos nas conversas à distância de um clique.