SCMF reabre Centro Dia do Fundão

Reabriu esta quinta-feira, dia 1 de julho, o Centro de Dia do Fundão

A valência da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF), que estava encerrada desde o início da pandemia Covid-19, retoma a atividade social em novas e autónomas instalações, no piso inferior do edifício do lar Nossa Senhora de Fátima, no complexo social do Serrado, no centro da cidade.

O espaço em causa foi requalificado e modernizado ao abrigo de uma candidatura ao Fundo Rainha Dona Leonor, resultado duma parceria entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e União das Misericórdias Portuguesas.

Reestruturado de acordo com as orientações da Direção Geral de Saúde, o equipamento segue as diretrizes plasmadas no Plano de Contingência para a Covid-19 na SCMF. 

Trata-se de um investimento superior a 50 mil euros, que criará no início três postos de trabalho (educador social; ajudante de lar; trabalhador de serviços gerais).

O renovado Centro de Dia do Fundão funcionará de 2ª feira a Sábado, das 08.00 às 19.00 horas. Encerra Domingos, Feriados e dias dados pela Instituição aos seus funcionários, podendo nessas ocasiões os utentes beneficiar do Serviço de Apoio Domiciliário.

Além dos serviços contemplados no pacote base desta resposta, nomeadamente, alimentação (4 refeições dia), higiene pessoal, tratamento de roupa, transporte e atividades de animação, o Centro de Dia do Fundão passará a dispor de cuidados de saúde, atos de cidadania, aquisição de compras, entre outros.

Durante o tempo de pandemia, todos os utentes que frequentavam esta tipologia social – Centro de Dia no Fundão, Alcongosta, Aldeia de Joanes, Capinha, Lavacolhos, Pesinho e Pêro Viseu -, ficaram nas suas habitações, beneficiando da resposta de SAD – Serviço de Apoio Domiciliário da Misericórdia. 

No último ano e meio a SCMF reforçou as equipas de SAD para responder às necessidades dos 90 utentes que frequentavam os Centros de Dia da instituição.

Para frequentarem o Centro de Dia os utentes terão de se encontrar vacinados e de respeitar as regras da DGS e o Plano de Contingência da Instituição, para que o serviço seja prestado com a máxima segurança.

FLAD entregou instrumentos à AMDF

A FLAD- Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, ofereceu no último sábado, 26 de junho, à Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF), um conjunto de instrumentos musicais avaliados em dez mil euros.

O donativo, entregue à direção da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, insere-se na estratégia de responsabilidade social da FLAD. A comitiva liderada pela presidente da FLAD, Rita Faden Araújo, visitou as instalações da escola e assistiu a um recital em que participaram os finalistas do ensino secundário na música.

Na ocasião, Rita Faden Araújo manifestou-se agradavelmente surpreendida com a qualidade dos intervenientes no recital bem como com o projeto educativo da escola que em 25 anos de existência conquistou mais de 200 prémios em concursos de música.

Com um orçamento anual de um milhão de euros a AMDF é um caso de sucesso educativo a partir do Fundão para o mundo, sem esquecer a componente cultural que promove nos concelhos onde leciona e que são Fundão e Penamacor, vila onde dispõe de um polo.

João Correia, diretor executivo da AMDF, vincou a importância dos novos instrumentos para o estabelecimento de ensino onde passa a haver um bombardino, instrumento musical que será uma novidade na oferta formativa do próximo ano letivo.

O estabelecimento de ensino também conhecido pelo êxito do Concurso Internacional Cidade do Fundão, que se realizou todos os anos antes da pandemia Covid-19, aproveitou a presença de responsáveis da FLAD sensibilizando-os para a importância de a Fundação ajudar a AMDF a encaminhar alunos finalistas para estabelecimentos de ensino superior nos EUA e trazer professores de universidades americanas para master classes a realizar na AMDF.

Em 25 anos, a AMDF formou uma centena de alunos que posteriormente ingressaram no ensino superior em Portugal e no estrangeiro.

Asas de uma melodia de vida

Num tempo atípico e adverso aos sonhos, chega ao fim o percurso de um conjunto de alunos da Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) que passaram uma fase da aprendizagem e crescimento na escola de ensino artístico do Fundão. O último ano e meio caracterizado por vários períodos de confinamento e perigo epidemiológico foi de enorme exigência para os finalistas de uma escola que ensina música e dança, cujos concertos presenciais foram sendo adiados.

Porém, o sentimento de otimismo e confiança nunca travou a determinação de concluírem com êxito o ensino secundário na música. Muitas destas pessoas chegaram a apresentar provas em vídeo para ingressarem nas melhores escolas de música de Portugal ou do estrangeiro.

Agora que têm o caminho mais definido regozijam-se pelo resultado do trabalho produzido e sonham com novos voos e realizações. Fomos ao encontro de Sónia Cerdeira, Carolina Januário, Rodrigo Teófilo, Francisco Barata, Afonso Primo, Pedro Leitão e Tomás Leitão. Sentimos-lhe o pulsar da alegria e registamos a satisfação de quem leva a AMDF no coração.

A escola que liga gerações de músicos

Rodrigo Teófilo é um dos mais novos finalistas, concluiu o oitavo grau de violino, no universo de uma família sem tradições de música erudita. Começou na trompa, aos 14 anos desenvolveu “um casamento sem divórcio” com o violino, vai ingressar no ensino superior em Lisboa onde se propõe realizar uma licenciatura em performance, mestrado em ensino e doutoramento em musicologia. “Um longo e exigente desafio”  que, acredita, decorrerá “na perfeição”. O estudante natural do Fundão que apresenta-se cético quanto à importância de concursos e por essa razão optou por realizar master classes que o levaram a conhecer mestres do mundo inteiro.

Nessa experiência em classes de conjunto, Rodrigo sublinha a importância de ter ingressado na Orquestra de Jovens Músicos com o maestro Cristiano Silva, onde see inteirou da importância da aprendizagem da música em grupo. É neste contexto que atribui maior relevo à ingressão na Orquestra Jovens Sem Fronteira – liderado pelo maestro Martim Sousa Tavares, neto de Sofia de Mello Breyner – que o levou até ao Brasil. “Fomos apenas seis jovens músicos de Portugal, juntamo-nos a outros tantos brasileiros, no âmbito do «projeto Sofia», foi memorável”, descreve o jovem que também valoriza o percurso de oito anos na AMDF onde aprendeu as bases para a música. “Levo no meu coração o professor João Correia e todas as pessoas com quem me cruzei na minha escola de sempre”, destaca.

A importância da AMDF na formação é igualmente destacada pelo finalista do curso de canto Francisco Barata. Aos 18 anos, o talentoso cantor quer seguir direção coral na Escola Superior de Música de Lisboa, salienta a capacidade de ultrapassar obstáculos numa aprendizagem iniciada no estudo e prática de flauta transversal. Chegado ao 10º ano de escolaridade o gosto pelo canto colocou-o nas classes do professor Luís Rodrigues, com quem aprendeu que “canto é mais que talento”. “São precisas as línguas como o italiano e alemão” num caminho que “nos obriga a ouvir muita música erudita” e lhe ocupava diariamente duas horas de trabalho profundo.

Francisco Barata é oriundo de uma família em que o pai se dedicou ao jazz e ao teatro e esse vinco sobressaiu quando no 9ºano de escolaridade Francisco compôs as primeiras obras originais. “No futuro pretendo mesmo lançar os meus originais”, destaca o também ator das classes de teatro da ESTE – estação teatral, fundador de um grupo à capela, que também participou em programas formativos de música antiga.  Inspirado em Salvador Sobral ou Freddie Mercury, Francisco entende a ida para o ensino superior como uma viagem necessária para aprofundar o conhecimento da música e crescer enquanto artista.

O crescimento enquanto artista é a motivação de Sónia Cerdeira que aos 14 anos deixou o conforto do lar e da família em Meimoa (Penamacor) para vir para a AMDF, passando a viver no Fundão. Três anos depois é possível estabelecer um paralelismo em termos do desafio e oportunidades que o ingresso no ensino superior irá acrescentar na vida da acordeonista que agora concluiu o oitavo grau num instrumento que a apaixona desde os nove anos de idade. “O acordeão é muito importante, não tanto por ser um instrumento associado à cultura popular pois tem bastante a explorar”, descreve a fã do francês Franck Angelis .

“Gosto de adaptar ao acordeão a música mais sentimental”, descreve quem já participou num grupo de cantares onde havia concertinas e não acordeão. “Sendo parecidos apresentam sonoridades absolutamente distintas, define a futura estudante em Aveiro ou Castelo Branco que no futuro pretende conciliar a atividade de professora de música com a realização de concertos. Habituada a fazer duetos com Carolina Januário, outra das finalistas de acordeão na AMDF, Sónia não esquece o contributo dos professores da AMDF Horácio Pio e Lurdes Salvado enquanto mestres na descoberta e aperfeiçoamento na aprendizagem.

Natural de Unhais da Serra, Carolina Januário, é outra das talentosas acordeonistas que estuda na AMDF desde os dez anos de idade. Na passagem do primeiro para o segundo ciclo de estudos, veio estudar para o Fundão e presentemente aguarda ser colocada em Aveiro, Castelo Branco ou Évora onde pretende realizar uma licenciatura. A jovem estudante descobriu o acordeão aos cinco anos quando “às escondidas da família, para não estragar”, passou a manusear os botões do pequeno acordeão que “a minha avó oferecera ao meu pai”. “Fiquei completamente apaixonada pelo instrumento” conta a acordeonista que elege João Barradas como uma inspiração em Portugal.

Na bagagem das recordações leva a experiência no Ensemble da AMDF e todo o trabalho de partilha que a escola de ensino artístico da música no Fundão lhe proporcionou. Quanto ao domínio do acordeão, “o sonho é crescer enquanto profissional pois o acordeão, enquanto instrumento versátil – é um piano portátil – permite-nos desenvolver projetos de música performativa e de percussão, adapta-se facilmente à exploração de várias sonoridades e ritmos” e isso encanta, sobremaneira, a jovem estudante.

Os sopros e percussão são familiares aos alunos Afonso Primo, Pedro Leitão e Tomás Leitão. Atingiram a maioridade, brevemente irão abraçar o futuro ingressando na universidade. Os três passaram o último ano a trabalhar com maior empenho por forma a apresentarem candidaturas a várias universidades portuguesas e estrangeiras. As provas realizadas deram-lhes a oportunidade de poderem rumar à Holanda ou ingressar num estabelecimento de ensino superior em Portugal.

Tomás Leitão, iniciou os estudos na música no violoncelo e só dois anos mais tarde mudou de instrumento. Aprendeu saxofone, entusiasmou-se com o desempenho de antigos colegas da AMDF, como Marco Bento, e conclui agora o ensino secundário conseguindo qualificações que em provas práticas lhe abriram as portas de universidades em Haia e no Porto. “Foi um tempo árduo, de equipa, iniciado há dez anos mas que só nos últimos três anos ganhou maior dedicação e afinco”. Tomás deixou de praticar desporto, chegou a ser campeão de iniciados em futebol com o emblema do Clube Académico do Fundão, mas fê-lo com a convicção de que abdicar de alguns passatempos daria melhores resultados.

Fernando Ramos, professor português, é um dos ídolos do estudante irmão de Pedro Leitão que também iniciou o percurso na AMDF quando tinha seis anos. “Sempre gostei de aprender e praticar percussão, mas inicialmente encarava cada aula como uma diversão idêntica ao futebol”, diz Pedro Leitão que agradece ao professor Diogo Cabral por ter sido determinante no aperfeiçoamento e dedicação às dinâmicas. “Tem sido trabalhoso e desafiante”, acrescenta o jovem que hoje em dia se regozija pelo percurso.

Mais reservado mas igualmente entusiasmado, Afonso Primo também do Fundão dedica-se à percussão há cinco anos, embora frequente a AMDF desde o 4º ano de escolaridade, onde despontou para a música na bateria e marimba. “Inicialmente foi um pouco difícil adaptar-me ao ritmo de trabalho e do básico para o secundário o salto e exigência são bastante diferentes”, salienta Afonso que, tal como os irmãos Leitão, conquistou prémios em concursos onde participou e concretizou estágios em orquestras como a Ensemble.

Ciente de que o futuro significa mais trabalho e dedicação, Afonso Primo espera continuar a desenvolver conhecimento em percussão, cativando novos públicos que se habituaram a observar a percussão para lá da conjugação de sons. Tendo por base os ensinamentos de mestres como Pedro Carneiro ou André Dias, Afonso admite que a experiência adquirida em projetos coletivos como «Fragmentos Sonoros» ou «Moustache-Bras Band» foi determinante no progresso performativo e visual da arte que lhe preenche os dias.

Mulheres na Misericórdia do Fundão

No Dia Internacional da Mulher apresentamos o retrato de algumas das mais de 250 mulheres que exercem a sua profissão nas mais variadas respostas de natureza social, educativa, agrícola e de saúde da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Mulheres de várias idades, com responsabilidades distintas, rosto e papéis sociais diversos.

Pessoas com vida própria e que a pandemia Covid-19 transformou. Cuidadoras natas, as mulheres no universo Misericórdia, vivem desde há um ano um período de enorme desgaste físico e psicológico. Muitas das nossas mulheres têm passado os últimos meses mais afastadas da vida pessoal. A missão que desempenham reveste-se de maior exigência e dedicação.

Neste breve tributo às mulheres na Misericórdia do Fundão, pretendemos dar-lhes voz partilhando com a comunidade os seus desejos e ambições. Todas manifestam regozijo quanto à importância da Santa Casa da Misericórdia do Fundão na vida de cada uma.

Consensual é também o sentimento de fazer bem, ao próximo, cuidando.

Etelvina Moco Serra de 65 anos é auxiliar de geriatria na Instituição onde trabalha desde 2004. Sempre gostou de acrescentar valor ao seu percurso profissional iniciado como costureira. Natural de Malhada Velha, anexa de Bogas de Cima, Etelvina Serra,  chegou a liderar uma equipa nas confeções Massito, realizou um curso profissional de geriatria e entrou na Misericórdia como voluntária. Hoje sente-se realizada pelo trabalho que todos os dias lhe preenche o tempo: Cuidar de idosos. Iniciou-se na Unidade de Cuidados Continuados onde ainda se mantém com um sentimento de dever cumprido. “Estou muito feliz com as minhas responsabilidades, às quais me entrego de corpo e alma. Trabalhar com idosos é gratificante pois sentimos que todos os dias ajudamos alguém”, descreve a profissional à beira da aposentação. “Aqui entregamo-nos de corpo e alma ao compromisso com quem mais precisa”, sintetiza.

Ajudar idosos e dependentes é também a ocupação de Lurdes Parente, auxiliar de geriatria no Serviço de Apoio Domiciliário e Centros de Dia da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Há 19 anos que iniciou, no Centro de Dia de Alcongosta, o seu percurso de apoio na higiene pessoal, habitacional e distribuição de comida, levando sorrisos a pessoas solitárias. Aos 51 anos, Lurdes Parente, diz-nos que “somos uma alegria diária com hora marcada que entra em casa de pessoas idosas ou em dificuldades físicas”. Apesar da ocupação profissional, que muitas vezes a obriga a deixar a família e o bem-estar pessoal para segundo plano, Lurdes Parente abraça cada jornada com o mesmo entusiasmo. “É gratificante sentirmos que somos parte integrante da família daquelas pessoas, percebemos que os minutos que ali passamos fazem toda a diferença na rotina delas”. Testemunha a profissional que anseia por “maior reconhecimento e mais justiça” no exercício de uma missão em que todos os dias “somos a única companhia”. Uma realidade agravada com a pandemia Covid-19 que “isolou mais pessoas”.

Sandra Cristina Duarte é mais jovem.  Aos 46 anos, a profissional de serviços gerais e apoio geriátrico exerce funções no Centro Comunitário Minas da Panasqueira há cinco. Ingressou nesta instituição secular por influência de uma amiga e pela proximidade geográfica da sua residência no Ourondo com a Barroca Grande. “Recebi uma proposta de trabalho mais aliciante, a curta distância entre casa e o trabalho permiti-me uma melhor conciliação entre a vida profissional e familiar”. Vinca a cuidadora que encara o trabalho com pessoas idosas com um sentimento de “dedicação, coragem e muita garra”. “É preciso gostarmos muito do que fazemos”, conclui Sandra Duarte.

O entusiasmo de Sandra é corroborado por Cláudia Andresson, animadora sócio cultural desde há um ano e meio nos lares da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Natural de Castelo Branco, chegou à Instituição através de um estágio profissional. O desempenho e dedicação aos utentes residentes nos lares da Misericórdia (Fundão) e Nossa Senhora do Amparo (Aldeia de Joanes) foram a oportunidade que faltava para conciliar a atividade profissional com a prática desportiva. Cláudia Andresson de 25 anos também é futsalista federada. Na Santa Casa encanta-se com as histórias de vida que diariamente ouve à população sénior. “Todos os dias acontece algo diferente, todos os utentes nos acrescentam algo que estimula o trabalho em equipa e o espírito de entre ajuda”, explica-nos.

A jovem mulher cuidadora, a quem a pandemia Covid-19 deixou marcas, afirma que o vírus a fez sentir-se “impotente” face a uma tempestade que a privou de “ajudar, sobrecarregando as colegas de trabalho”. Por outro lado foi “bastante emotivo e exigente, levou-me às lágrimas” o regresso dos utentes que estiveram infetados que ao voltarem ao lar onde vivem manifestaram vontade de “nunca mais sair de casa”. Daquela casa!

A desportista para quem o Dia Internacional da Mulher deve ser uma jornada de todos os dias, encara o 8 de março como mais uma oportunidade para lembrar “desequilíbrios de direitos e oportunidades” numa área em que “todos os dias temos de estar preparadas para responder a todo o tipo de solicitações, independentemente da nossa ocupação, por forma a colmatar carência de recursos”.

Chegar a todo o lado parece ser o espírito das mulheres que trabalham no setor agrícola da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Natália Gonçalves e Lurdes Farinha têm 50 e 45 anos, respetivamente. Dizem que são felizes na Instituição onde, faça chuva ao faça sol trabalham na produção de hortícolas e fruticultura. É “um trabalho duro”, mas prazeroso pois “andamos ao ar livre ou estamos nas estufas e não é mau pois gerimos um pouco o nosso tempo”. Também sentimos que estamos a produzir para uma instituição que pratica “a solidariedade, cuidando de quem precisa, isso é muito importante”, sintetiza Lurdes Farinha que encara o ofício com a mesma naturalidade de quem sabe fazer outras coisas. Sobre as questões de género, Natália é mais exigente e lembra que fazendo o mesmo que muitos homens “deveríamos ganhar igual”.  

Maria Antunes Carrondo de 61 anos trabalha na Quinta Pedagógica do Fundão, onde costuma brindar os visitantes com a mestria de quem sabe o suficiente de doçaria e pão para dinamizar ateliers para crianças, deixando os visitantes com água na boca. Integrada numa equipa onde também é preciso cuidar dos animais, jardins e canteiros agrícolas, Maria Carrondo dá apoio à loja /receção da Quinta onde tem saudades das visitas e dinâmicas que a pandemia Covid-19 cancelou.  Multifacetada, a antiga costureira e empregada doméstica, adapta-se às circunstâncias que a vida lhe coloca. Lida mal com a “injustiça e incompreensão” e recomenda a todas as mulheres que façam ouvir-se exprimindo preocupações e anseios. “Façam-se ouvir, respeitem-se para sermos respeitadas”!

As conquistas da mulher preenchem o depoimento da gestora Lídia Pereira. Aos 42 anos a conimbricense, na Misericórdia há 19 anos, licenciada em gestão e administração pública é uma das mulheres das contas no universo Santa Casa. “Trabalhar no departamento de gestão e contabilidade de uma Instituição desta dimensão é bastante exigente pois a multiplicidade de respostas bem como o grau de responsabilidade social que nos caracteriza implica encarar cada dia de mente aberta para solucionar novas dificuldades, encontrando caminhos para cada novo desafio”.  Otimista e resiliente Lídia Pereira é quase uma fundanense pois vê o Fundão como “uma terra de oportunidades, onde já tenho referências e desejo continuar a trabalhar”.

A terra da cereja também tem sido sinónimo de oportunidade para Maria Isabel Leitão. Natural de Angola, 60 anos de idade, trabalha na Instituição desde 1998. Iniciou o percurso na Creche, passou pelo ISMAG – instituto superior de matemática e gestão – no Fundão, é atualmente cozinheira principal. Um dom que muitas vezes nos aconchega o estômago. Hoje é mais fácil que num passado recente, pois a pandemia colocou mais pessoas em teletrabalho, o número de refeições decreceu, logo cozinhar para 40 não é a mesma coisa que elaborar 100 refeições. Seja como for, Isabel Leitão considera-se uma cozinheira exigente que gosta do que faz. Quanto a ser mulher na Misericórdia, significa“ajudar constantemente” sentindo orgulho “nos serviços essenciais” que a Instituição realiza.

Também a médica Cátia Fernandes de 35 anos sente a Santa Casa da Misericórdia do Fundão como uma instituição de enorme relevância social. Considerando as “relações de proximidade e o foco nas pessoas como determinantes se aliadas ao conhecimento e à ciência”, Cátia Fernandes enaltece a “capacidade” de todas as profissionais de saúde da Instituição na resposta a “situações de extrema complexidade e exigência” como a presente pandemia. Ciente da dificuldade de conciliação da vida profissional e pessoal, Cátia Fernandes afirma que ser mulher na Misericórdia é sinónimo de “desafio”, cumprindo de forma competente “os vários papéis”.

Desafiante. É assim que a enfermeira Sofia Margarida Matias de 23 anos vê o ofício que desde 2019 realiza na Santa Casa. “Desde muito jovem que senti o apelo de trabalhar no lar novo que é perto da pastelaria da minha avó”, começa por explicar a jovem residente em Pêro Viseu que também é cuidadora informal dos avós. “Encarei a vinda para a Santa Casa com ânimo, pois contínuo junto da família, a cuidar de quem precisa”, afirma. Sofia Matias sente-se realizada no universo Cuidados Continuados por ser “mais evolutivo e desafiante”. “Muitos utentes chegam-nos ainda com enormes dificuldades, às vezes acamados, a serem alimentados por sonda, com bastantes limitações de locomoção”. “Observar a evolução, sabendo que fomos parte integrante na autonomia até à alta é bastante gratificante”, conclui a enfermeira.

Também a professora na Academia de Música e Dança do Fundão, Milene Alves Paulico, se sente realizada naquela resposta educativa da Misericórdia. Professora de formação musical, classes de conjunto e maestrina, Milene Paulino integra “a família” da Academia e sua “segunda casa” há cerca de 20 anos. Considera-se uma “mulher afortunada” por fazer o que gosta numa escola que conheceu como aluna e onde, como docente, sente que “valorizam o empenho e dedicação” de quem ali trabalha. “Nunca senti preconceitos ou desigualdades” na escola onde se fez mulher verbaliza a educadora que uma sociedade cada vez mais exigente dificulta a conjugação do ensino com o “bem-estar e força emocional” pois, “passamos muito do nosso tempo a trabalhar”.

Dedicação e trabalho caracterizam a educadora Maria Amélia Nunes. Aos 62 anos, 40 dos quais como educadora de infância,é das mais antigas colaboradoras na Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Mulher sorridente e de trato fácil, sente-se realizada na rotina que lhe marca décadas ao serviço de muitas centenas de crianças. Guarda-as no coração e acredita que muitas também se recordam da educadora Amélia. “Antes de ser educadora de infância já me sentia educadora, pois sempre gostei de acolher e brincar”. “Sou do tempo em que todas as crianças brincavam na rua”. Acrescenta quem procura atualizar-se quanto a metodologias de ensino, descobrindo novos conceitos. E quando se lhe pergunta se já tem vontade de se aposentar vinca que “depois da reforma continuarei a ensinar, serei voluntária aqui ou noutro lugar” pois gosta de sentir-se útil.

Mulheres com rosto no universo da Santa Casa da Misericórdia do Fundão!

O Vírus que nos Trai

Atendendo à pandemia Covid-19 e ao Estado de Emergência que vigora em Portugal, a Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) está este ano impossibilitada de realizar, em colaboração com a Paróquia do Fundão, a procissão do Senhor dos Passos. Momento introspetivo de enorme relevância para a nossa comunidade, o emblemático cortejo, bem como os sermões do Pretório e do Calvário que no segundo domingo da Quaresma ecoam junto à Igreja da Misericórdia e à porta da Capela do Calvário no Fundão, não acontecerá.

Cientes da dimensão espiritual da celebração, assinalamos a data com uma mensagem do Capelão da SCMF, padre António Gama. Um texto introspetivo que nos faz pensar sobre a fragilidade da nossa condição humana, quando confrontada com o impacto de um vírus que já ceifou milhares de vidas e continua a condicionar-nos o passo.

“Era suposto e de tradição, neste segundo domingo da quaresma, percorrermos as ruas da cidade acompanhando a imagem do Cristo sofredor e de sua Mãe dolorosa, recordando o quadro do Calvário  de há mais de 2000 anos e revivendo, através das nossas memórias, a imagem da  caminhada que é a nossa própria vida, tantas vezes penosa, cheia de quedas, de dor e lágrimas  portando uma cruz  bem pesada.

Logo nos cruzávamos  com os Cristos e as Marias dos nossos dias, que nas janelas e varandas dum lar vinham reviver. Vergadas pelo peso dos anos, uns, outros pela doença implacável, as suas próprias caminhadas. Este ano as imagens não saem às ruas e nós somos impedidos de acompanhá-las, isto porque um “bichinho”, tão minúsculo que à vista desarmada não conseguimos vislumbrar, veio perturbar os nossos mundos, fazer ruir os nossos impérios, confinar-nos no mundo dos nossos abrigos, e levar-nos implacavelmente os entes mais queridos sem por vezes presencialmente podermos chorar as suas partidas.

Fomos à Lua, chegamos a Marte, fizemos progressos espantosos no mundo da ciência e da técnica, julgámo-nos senhores do mundo, e o referido minúsculo “bichinho” veio lembrar-nos a real condição humana. Tão insignificante quase fez parar o mundo.

Demos conta disto?

Conseguiu a ciência o necessário para quase eliminar o flagelo monstruoso e terrificante que é a lepra. Mas continua a haver os leprosos dos nossos dias: são os que vivem nos barracos das favelas das cidades ricas, são os desempregados das cidades industriais, os jovens drogados, vítimas de uma sociedade consumista; são as crianças abandonadas; são os idosos sem vez no emprego e na família, como produto descartável.

Como dizia o nosso Bispo a doença obriga a parar e, pelo menos para muitos, é oportunidade para se perguntarem pelo sentido da vida e encontrarem um significado novo e porventura uma direção também nova para sua existência. Para quantos a doença e o hospital não foram verdadeira revolução na sua vida pessoal.

Mas este mundo que Deus criou é mesmo mau ou os homens o vão estragando?

Na sua mensagem para o Dia da Paz lembra o Papa Francisco: “Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade  à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a “bússola” dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum”.

As novas do declínio da pandemia, o grosso dos novos samaritanos: médicos, enfermeiros, trabalhadores do imprescindível, prestadores de serviços, os voluntários dedicados que sacrificam por vezes a própria vida, são a luz que alimenta as nossas esperanças, a garantia que não estamos sós e que com a sua ajuda, apoiados no cajado da Fé, caminharemos o nosso caminho e alcançaremos a meta que nos foi proposta”.

P. António Gama

O Primeiro dia do resto de uma vida

“Vai seu muito positivo para todos”

A tarde de sexta-feira, 19 de fevereiro, ameaçava chuva. Embora o horizonte estivesse cinzento, a vida de três dezenas de utentes da Santa Casa da Misericórdia do Fundão conhecia uma nova etapa.

Mudavam-se de malas e bagagem para a nova Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) e estreavam-se no hotel sénior Príncipe da Beira, no Fundão.

O edifício que outrora foi fábrica de lanifícios, seminário, abrigo de crianças e hotel é agora uma moderna ERPI propriedade da SCMF.

Luísa Leitoa Rubina está quase a completar 94 anos, utente no lar Nossa Senhora de Fátima no Fundão, mudou-se para a novo hotel sénior e não cabe em si de curiosidade.

Foi das primeiras a pisar o edifício que noutros tempos, quando albergou o Seminário Menor do Fundão, inspirou nomes sonantes da literatura como Virgílio Ferreira ou Aquilino Ribeiro.

A inspiração é o sentimento que norteia as equipas. Os técnicos, profissionais de saúde e animação sócio cultural que desde o final da última semana preenchem os dias no Príncipe da Beira, são os olhos e ouvidos dos homens e mulheres que deixaram o lar Nossa Senhora de Fátima, no centro urbano do Fundão, para morarem no sopé da serra da Gardunha.

Encantada com a verdejante paisagem que avista da sala de refeições e espaço de convívio, Luísa Rubina desvia as cortinas fixando o olhar na majestosa paisagem. A curiosidade da nonagenária, que também já foi utente da SCMF no Centro de Dia de Capinha, é idêntica à de Adelina Cruz Nunes.

Natural de Castelo Novo, Adelina, sai da carrinha que transportou os utentes até ao novo lar e parece incrédula com aquilo que a porta de acesso ao lar lhe mostra. Serena e muito reservada, a senhora Adelina Nunes deixa escapar um sorriso quando lhe dão as boas vindas à casa nova.

César Serrão, profissional de desporto, e Joana Santos enfermeira recebem cada um dos novos inquilinos do antigo hotel com uma alegria impar.

Bem se vê que bebem da mesma energia e otimismo da diretora técnica de valência. Sara Alvarinhas, que também é psicóloga, geriu nas últimas semanas as emoções e ansiedade dos utentes que mudaram do lar Nossa Senhora de Fátima para o hotel sénior.

Não esconde que foram dias de alguma insegurança, pois as mudanças de espaço e rotinas trazem sempre pontos de interrogação. Quando a população alvo é mais vulnerável e de maior idade, as atenções e grau de exigência aumentam.

Nada que a transtorne: “Iniciamos hoje este desafio com muita expetativa, para técnicos e utentes. O entusiasmo deles é também o nosso num espaço completamente diferenciador, capaz de aumentar a qualidade de vida dos nossos utentes”, afirma Sara Alvarinhas.

Rosarinho Brioso é fundanense e congratula-se por passar a morar no Príncipe da Beira. Não sabe se irá usufruir do SPA mas está muito contente só por mudar-se para um edifício emblemático na história do Fundão.

Maria José Pina, também é do Fundão e mostra-se feliz, por “finalmente poder apanhar ar”. Pudera, está confinada no lar desde que a pandemia Covid-19 tomou conta da humanidade. Do alto dos seus 98 anos, dona Zezinha, confidencia-nos que gostaria de ali celebrar os 100 anos.

Paixão Tomás já chegou aos 102 anos.  É uma mulher feliz com a mudança de lar. Portadora de um entusiasmo contagiante, endireita as costas na cadeira, e bate as palmas ao pisar a soleira da porta da nova casa.

Carlos Vilela é natural do Ferro, concelho da Covilhã, viajou na mesma carrinha e à porta do Príncipe da Beira conta-nos da vontade que tem em descobrir cada recanto da nova casa.

José Francisco Alberto, Fernando Castanheira e José Pina são outros dos novos inquilinos e até já pensam nas sessões de relaxamento na piscina. O senhor Castanheira está cheio de vontade de “começar já!”.

Ana Rosa Lopes de 62 anos sempre encarou a ida para o hotel com a maior confiança. No primeiro dia, mesmo com as nuvens carregadas a ameaçarem chuva, saiu pela porta lateral e no estacionamento do hotel sénior com vistas para a serra e de acesso fácil à estrada nacional 18, esbracejou de alegria. Sorriu para si própria, dizendo que “hoje é um dia de liberdade”, pois está em confinamento desde março de 2020.

Que a liberdade tome conta do pensamento e criatividade de todas as pessoas que agora abraçam um novo projeto de apoio a idosos. Que todos os dias sintam mais energia e vontade de conhecer as potencialidades da estrutura residencial.

A vacina da esperança chegou aos lares da Misericórdia do Fundão

Aliviado e mais protegido, assim o verbalizou o primeiro utente no universo de respostas sociais da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) a ser vacinado contra a Covid-19.

José Dias Santos de 68 anos tomou a vacina na manhã desta terça-feira, 19 de janeiro. O utente da Unidade de Cuidados Continuados do Fundão considera que “o vírus não pode ser uma inevitabilidade” por isso valorizou a primeira toma da vacina. “Sinto-me aliviado e mais protegido. É como se tivesse tomado uma vacina para outra doença qualquer”, afirmou o utente natural de Orca, concelho do Fundão.

José Dias Santos foi um dos 16 utentes da Unidade de Cuidados Continuados a receber a vacina contra o coronavírus. Seguiram-se 37 utentes do Lar Nossa Senhora de Fátima também no Fundão e 55 colaboradores das duas respostas sociais.

Também esta terça-feira foram vacinados 8 utentes e 8 colaboradores do Lar Nossa Senhora do Amparo em Aldeia de Joanes. 

No próximo sábado, dia 23 de janeiro, serão vacinados 70 utentes e 55 colaboradores do Lar da Misericórdia, no Fundão. No mesmo dia serão vacinados os utentes e colaboradores do Centro Comunitário Minas da Panasqueira, concelho da Covilhã.

Posteriormente, a vacina chegará aos utentes e colaboradores do Lar de São Sebastião na freguesia de Capinha, Fundão.

A vacinação e todos os procedimentos associados são assegurados pela equipa clínica e de enfermagem do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) da Cova da Beira em articulação e apoio da equipa clínica e de enfermagem da SCMF.

A segunda dose da vacina será administrada, no mínimo, 21 dias depois da primeira toma, em data a definir pelas equipas do ACeS Cova da Beira.

O primeiro ato da vacinação no universo da SCMF foi acompanhado pelo provedor da instituição, Jorge Gaspar, pelo enfermeiro diretor do ACeS Cova da Beira Carlos Martins e pelo presidente e vice presidente do Município do Fundão, Paulo Fernandes e Miguel Gavinhos, respetivamente.

Para o provedor da SCMF, este é “o momento do início da mudança, que todos queremos que aconteça; o início da vacinação é uma luz de esperança, mas aumenta a responsabilidade de todos nós, exige que não descuidemos os cuidados e que continuemos a ser exigentes, individualmente e em grupo, fora e dentro das nossas valências, pois só assim teremos tranquilidade dentro de alguns meses”.

Redefinir movimentos para garantir segurança

Adriana, Laura, Leonor, Margarida. Eis algumas das 40 crianças e jovens que este ano estão a frequentar as aulas de ballet na Academia de Música e Dança do Fundão. Menos de metade se comparado com a frequência em ano anteriores. Efeitos de uma pandemia que tarda em largar-nos mas que obriga todas as dinâmicas a serem reconfiguradas.

Nas aulas ministradas pela professora Sílvia Tourais o entusiasmo de praticar ballet não esmoreceu mas todas as participantes vincam como o uso da máscara de proteção individual lhes dificulta a respiração e as faz transpirar mais que o habitual.

Na sala de ballet da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão acertam-se os últimos pormenores para as gravações dos momentos de dança que haverão de alimentar os concertos de Natal da AMDF. Desta vez o espaço de movimentos está confinado à sala de aulas e é preciso garantir que nenhum passo será dado em falso.

“Trabalhámos pequenos apontamentos do bailado Quebra Nozes de  Tchaikovski. Estudámos novos planos que garantissem distanciamento entre participantes, mas mantemos o entusiasmo”, refere Sílvia Tourais.

A satisfação pela chegada de um novo espetáculo é verbalizada Margarida Matos de 14 anos. Uma das entusiastas do ballet, vê na dança a fórmula perfeita para “libertar energias menos boas” arejando a mente para os desafios que se seguem.

“Gosto muito de ballet, é uma expressão corporal que me entusiasma desde os três anos, adoro participar mas a pandemia tem condicionado algumas coisas”, refere.  “É estranho, somos menos em contexto de aula, não podemos agarrar-nos”, acrescenta Margarida Matos.

A obrigatoriedade de usar máscara também é apontada como um aspeto menos confortável dos novos tempos nas aulas de ballet. Laura Proença  e Maria Ribeiro dizem que a máscara as impedem de respirar “na perfeição”. Já Adriana Garcia vinca como a utilização da máscara as faz “transpirar e ter muito calor na cara”.

Certamente que a dedicação e empenho na delicada construção de passos certeiros e seguros estará presente nos momentos em que a música e dança enriquecerão os espetáculos de Natal da AMDF que poderá acompanhar aqui https://www.youtube.com/channel/UCoLWrtOxyQYJ8yNnk9WKf2A

Preparar Concertos em Tempo de Pandemia

A resiliência humana faz-se ao palco digital, num ecrã perto de si. Aproveitem e deixem-se contagiar pela energia musical da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.

Põe máscara, tira máscara. Desinfeta, lava, carrega, descarrega, limpa, arruma, abre a janela. Tem sido assim nas nossas vidas desde há pelo menos 9 meses. E também assim acontece, há menos tempo é verdade pois as escolas estiveram encerradas, nos estabelecimentos de ensino.

Na Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) a primeira vaga da pandemia Covid-19 foi passada em casa de cada educador e educando. O programa educativo cumpriu-se e nem as aulas de classe de conjunto ficaram por realizar. Todas as pessoas se lembram ainda dos vídeos partilhados nas plataformas do estabelecimento de ensino e que foram produzidos a partir de casa de alunos e professores.

Se a experiência foi progressivamente melhorada, a segunda vaga da pandemia, já com um novo ano letivo em curso, trouxe com ela uma nova necessidade de adaptação à realidade e novas doses de resiliência e improviso.

Tem sido esse o contexto de aprendizagem e progresso nas várias dezenas de aulas ministradas em sede de Academia ou nos estabelecimentos de ensino em que professores e alunos se adaptam e concretizam ensino e aprendizagem teórica, vocal e prática.

Após tantos meses de trabalho “laboratorial” e num tempo em que todas as comunidades precisam de sinais de alegria e normalidade, a AMDF não cruzou os braços e tem vindo a desenvolver um conjunto de dinâmicas em contexto de aula que dentro de dias irá partilhar com os milhares de amigos e seguidores do percurso do estabelecimento de ensino.

Em 24 anos de história nunca a escola de ensino artístico do Fundão deixou de presentear a comunidade com recitais e concertos de Natal. Momentos ímpares que ao longo dos anos têm chegado ao âmago das pessoas que gostam de música e, fundamentalmente, admiram o trabalho educativo e cultural da AMDF.

Obviamente que não seria uma pandemia a quebrar mais que uma tradição. Um momento cultural relevante na vida de uma comunidade.

Desta vez as centenas de crianças e jovens que estudam na AMDF não irão povoar as igrejas e espaços culturais da cidade e das aldeias mas Natal é sempre Natal e a música irá ouvir-se no tempo certo, em casa de cada pessoa.

Coro de Câmara

Desta vez os concertos de Natal da AMDF irão ser transmitidos através da internet nos dias 19 e 20 de dezembro numa demonstração dedicada de alegria e espírito natalícios.

Através destes canais  https://www.facebook.com/academiamusicafundao/

https://www.youtube.com/channel/UCoLWrtOxyQYJ8yNnk9WKf2A

toda a comunidade educativa, o mundo inteiro, poderá ligar-se à mestria de execução e talentos vocais de mais de 350 músicos e cantores que a partir do Fundão ou do polo da AMDF em Penamacor irão tornar o Natal 2020 mais luminoso e cheio de esperança.

No aconchego dos lares, onde quer que estejamos poderemos ouvir e observar o resultado de semanas de ensaios. Foram muitos dias e horas fora da rotina escolar habitual em que “artistas” de palmo e meio, jovens estudantes e professores dedicados desenvolveram um trabalho de cocriação que muito orgulhará o Fundão e as gentes destes territórios onde a cultura acontece e em segurança.

Quem acompanhou as gravações dos concertos a transmitir no fim-de-semana que antecede o Natal apercebeu-se do elevado grau de exigência de quem integra um coletivo de sopros, um coro ou uma estrutura de acordeão, percussão, cordas ou guitarras.

Ninguém imagina a disciplina e esforço acrescidos para respeitar distanciamento , regras de segurança e proteção individual.

A resiliência humana faz-se ao palco digital, num ecrã perto de si. Aproveitem e deixem-se contagiar pela energia musical da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.

Misericórdia do Fundão abre posto de colheitas de análises clínicas e posto de testes Covid 19

A Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) em parceria com o Centro Laboratorial «Germano de Sousa» abriu esta segunda-feira, dia 21 de setembro 2020, um posto de colheitas de análises clínicas. 

O mesmo situa-se na rua Agostinho Fevereiro, número 12, na travessa que liga a Praça do Município ao largo da Igreja e Praça Velha no Fundão. 

Destina-se a utentes, colaboradores, funcionários, dirigentes e irmãos da SCMF bem como à população em geral.

O posto de colheita de análises clínicas está aberto de segunda a sábado, das 8 às 13 horas. 

Além do posto de colheitas de todo o tipo de análises clínicas, a estrutura está apta a realizar eletrocardiogramas, exames MAPA e Holter.

O posto de colheita fará também testes Covid, sujeitos a marcação prévia, para o que deverá ligar para  910 643 478 ou 275 771 222

A abertura do novo serviço da SCMF enquadra-se na estratégia de enriquecimento e diversificação do portfólio de serviços e respostas de natureza social e de saúde da instituição.