O Guardião da Quinta do Serrado

Hoje escrevo sobre o património dos afetos no universo Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF). Escrevo sobre um homem que um dia deixou marca junto de várias gerações de pessoas que com ele se cruzaram nos últimos 40 anos na vida de uma organização social que promove a solidariedade, entreajuda e amor ao próximo.

Foi nesta instituição que muitos de nós se cruzaram com o cidadão António Xavier Santos. Upa!

O senhor UPA deixou-nos esta semana (dia 25 de outubro). Tinha 90 anos e morava no Lar da Misericórdia da SCMF desde 1996. Antes de ser institucionalizado foi trabalhador na Instituição e muito zelou pelos campos da Quinta do Serrado onde hoje está a Unidade de Cuidados Continuados da SCMF.

Também foi irmão da Misericórdia e foi-o com elevação, tal era o compromisso que religiosamente cumpriu, até lhe começarem a falhar as pernas.

Natural de Socorro (Lisboa), viveu em Vale de Prazeres, era solteiro e “apareceu no Fundão, por alturas da década de 1980, tendo sido acolhido por nós”, testemunham trabalhadores agrícolas e outros técnicos e dirigentes da SCMF, acrescentando: “por aqui ficou a vida inteira”.

“Era muito trabalhador, dinâmico, bem-disposto, solitário e poeta-popular”. Agarrava-se à “bengala” ou ao “chavão” UPA como que a dizer-nos para nos levantarmos e seguirmos em frente!

 Foi um cidadão participativo e disponível quer na vida da Irmandade da SCMF quer enquanto utente pois sempre foi pessoa disponível tanto para as Ermidas, como para os desfiles de Carnaval e outras dinâmicas. Chegámos a vê-lo e ouvi-lo no Coro Sénior da SCMF registando alguns dos seus poemas em que rimava o sentir com a observação do quotidiano. (VER DESTAQUE)

Faleceu na noite de 25 para 26 de outubro, enquanto dormia. Terá tido uma morte tranquila dizem as auxiliares e equipa técnica do Lar da Misericórdia onde viveu 26 anos. Durante muitos anos as pessoas da SCMF foram a única família de António Xavier Santos, conhecíamos-lhe as debilidades físicas, as dificuldades de natureza psicológicas agravadas pela batalha do vírus Covid-19 que também o abalou.

No dia em que escrevo estas palavras de exaltação a uma pessoa humilde vem-me à memória a celebração dos Santos Populares em junho último quando lhe tirei o último retrato. Ali estava o senhor UPA. O sorriso envergonhado comprovava como a pandemia lhe tinha moldado o traço, reprimindo o sorriso de encantar.

Ontem foi dia de o acompanharmos até à última morada. Antes de o deixarmos na terra gelada, o senhor Pe. António Gama, Capelão da SCMF, dedicou-lhe palavras de agradecimento e exaltação pela bondade. “Quem se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado”, disse António Gama, diante a assistência composta por trabalhadores e dirigentes da SCMF.

DESTAQUE

Cidade do Fundão

I

Quem passa pelo Fundão,

Leva uma bela recordação.

II

Tem cerejas apetitosas de fama internacional,

São tão deliciosas na balança comercial.

III

Os seus mercados das segundas-feiras são muito procurados,

Mais parecem umas feiras do que uns mercados.

IV

A Santa Luzia é uma sagrada Romaria,

De longe vem gente a pé com a alma cheia de fé.

V

Suas procissões são muito concorridas,

Atrai multidões crentes ou descrentes, suas promessas são cumpridas de modos diferentes.

VI

A joia do Fundão é a Serra da Gardunha,

É linda de verão, a cidade dela se orgulha.

VII

Quem passa pelo Fundão,

Leva uma bela recordação.

António Xavier Santos (UPA) – 2019

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A importância do exercício físico na longevidade

Realizou-se no dia 25 de outubro a conferência «Envelhecimento Ativo» prevista no projeto M&M – Maiores em Movimento que desde 2021 está em curso junto de utentes de lar e centros de dia da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF). 

A iniciativa juntou na Quinta Pedagógica do Fundão o professor catedrático da Universidade da Beira Interior (UBI) Mário Marques que abordou “ O Papel da Ciência no Envelhecimento Ativo” e o investigador (UBI) e coordenador técnico do projeto «M&M – Maiores em Movimento», Diogo Marques que abordou a temática “Prevalência da Fragilidade e Impacto do Exercício Físico na Reversão da Fragilidade em Idosos – Resultados Preliminares”.

Diogo Marques (investigador UBI) e Mário Marques (professor catedrático UBI)

Durante a tarde realizaram-se exercícios desportivos envolvendo utentes em centros de dia da SCMF, seguidos de um passeio na Quinta Pedagógica e um lanche convívio.

Foi uma jornada bem-sucedida da qual sobressaem os primeiros dados científicos que comprovam como a prática dos exercícios previsto no projeto «M&M – Maiores em Movimento» diminui ou atenua a debilidade física e cognitiva dos mais de 100 seniores envolvidos nas dinâmicas associadas aos planos de treino, testes de resiliência física e impacto no bem-estar psicossocial das pessoas idosas.

O Projeto M&M – Maiores em Movimento é uma continuação dos projetos científicos iniciados em janeiro de 2018 pela equipa de investigação do Departamento de Ciências do Desporto da UBI, quando dinamizaram o projeto «Os Seniores vão ao Ginásio», que teve continuidade com a implementação do M&M junto de pessoas idosas que frequentam as Estruturas Residenciais para Idosos e Centros de Dia da SCMF.

 O Projeto M&M foi eleito pelo júri do BPI Seniores como um dos contemplados pelos Prémios BPI Fundação “La Caixa” Seniores 2021.

Reportagem Rádio Cova da Beira com a jornalista Lara Cardoso aqui https://audiomack.com/jorge-cova-da-beira/song/projeto-mm-reverte-fragilidade

Reportagem RTP com o jornalista António Nunes Farias aqui https://www.facebook.com/scmfundao/videos/522395679332862

A responsabilidade e orgulho de cumprir o Compromisso da Misericórdia

A renovação do compromisso da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) realizada no Dia da Irmandade revestiu-se, este ano de 2022, de “enorme alegria” pois a cerimónia em que fizeram juramento novos irmãos também se caracterizou pela entrega de distinções aos mais antigos elementos da instituição. Belarmino Salvado Barata, irmão da SCMF há 52 anos salientou a “fidelidade aos princípios que norteiam as 14 Obras de Misericórdia”. Lembrando que fez juramento quando tinha apenas 14 anos de idade, o professor Belarmino Barata sublinhou que o seu percurso se tem pautado pelo ensino e aprendizagem “corrigindo o erro, ensinando a verdade”.

Pela verdade e diversidade, Margarida de Melo Nascimento, cumpriu aos 22 anos “o sonho” de pertencer à Irmandade da SCMF da qual já fazem parte os pais e onde espera desenvolver o “sentimento de pertença” que observa na intervenção cívica do pai que é atualmente Vice-provedor da SCMF. Além da jovem estudante de Direito, também a médica e antiga delegada de saúde no Fundão, Henriqueta Forte se tornou, no dia 24 de setembro, membro da Irmandade da Misericórdia. A missão social que agora abraça está intimamente ligada ao percurso de 40 anos de serviço público junto das populações e ao qual pretende dar continuidade “servindo as comunidades, ajudando a melhorar a qualidade de vida das populações servidas pelas diferentes obras sociais” da SCMF.

Também o empresário Carlos Morgadinho, sinaliza a “importância e responsabilidade” de passar a integrar uma organização que “secularmente tem zelado pelo bem-estar de quem precisa”. O CEO da empresa CIMD-SA, habitual parceira da SCMF, propõe-se continuar a pautar a responsabilidade social da empresa que representa “contribuindo dentro do possível” para a concretização de projetos que atenuem “as desigualdades sociais que ainda caracterizam a nossa sociedade”, referiu.

O sentimento de devoção e entrega às causas da SCMF também foram evidenciados pelo irmão Eduardo Sousa Couto que aos 75 anos recebeu a medalha da SCMF que distingue os irmãos com 50 ou mais anos de fidelidade à Misericórdia. O antigo merceeiro, que fez juramento no tempo em que a Mesa Administrativa era liderada por Armando Paulouro e chegou a integrar o Definitório num dos mandatos do também falecido provedor Manuel Antunes Correia, declarou-se “orgulhoso” pelo “reconhecimento” da “participação ativa” nas procissões e outras vivências religiosas que caracterizam o dia-a-dia da Santa Casa.

Declarações produzidas ao «Santos da Casa» à margem das cerimónias do Dia da Irmandade que este ano decorreram na Quinta Pedagógica do Fundão e que se pautaram por diversos apelos, quanto à participação ativa da Irmandade na vida da instituição, designadamente do capelão da Misericórdia Pe. António Gama, do provedor Jorge Gaspar e do irmão da SCMF e presidente da Câmara Municipal do Fundão, Paulo Fernandes.

Os novos irmãos da SCMF

Ana Margarida Quintela, Carlos Antunes Morgadinho, Dina Ramalho Gonçalves, Esmeralda Gomes Tavares, Henriqueta Duarte Forte, Isabel Monteiro Esteves, José Salvado Lopes, Margarida de Melo Nascimento, Paulo Alexandre Nobre, Sandra Silva Barreiros e Vítor Bento Antunes são os novos elementos da Irmandade da Misericórdia.

São pessoas do concelho do Fundão que se inserem na estratégia de “reforço e renovação da irmandade”, empreendido pela Mesa Administrativa, com o objetivo de “continuar a garantir o cumprimento” da sua missão nas diversas áreas de intervenção em que diariamente está presente, através de uma “participação ativa na vida” da secular Instituição.

“Alguns dos novos irmãos já vinham cooperando e ajudando a Misericórdia, espera-se que a atitude solidária e proactiva venha a contagiar a restante Irmandade”, profetizou o provedor Jorge Gaspar, sublinhando a relevância do “envolvimento ativo” dos novos irmãos nas causas, projetos e progresso da multifacetada instituição.

A par da adesão de onze novos irmãos, o Dia da Irmandade ficou marcado pela entrega de medalhas comemorativas aos irmãos que completaram 50 ou mais anos como membros desta Irmandade, tendo recebido este ano os irmãos Belarmino Salvado Barata; Maria Manuela Vaz Carvalho Leitão, José Paulo Vaz Carvalho Leitão, Álvaro Roxo Salvado, Pe. Casimiro Mendes Serra, Eduardo de Sousa Couto, Fernando Gil Moutinho Garcez, Maria Amélia Gil Moutinho Garcez, Maria Filomena Paulouro das Neves, Maria Isabel Aguilar Gascão Nunes, Maria Mécia Campos Alves, e a título póstumo os irmãos Pe. José Atanásio Mendes; Maria Umbelina Solipa; Maria Teresa Vaz Afonso Carvalho Leitão. 

A cerimónia ficou ainda marcada pela entrega de Medalhas de 25 anos de serviço na SCMF aos funcionários Ana Maria Silva Batista, Filomena Almeida Costa e João Carlos Mendes Ramos.

Misericórdia distingue irmãos e funcionários

De entre as pessoas a homenagear destaquem-se homens e mulheres que no princípio da década de 1970 fizeram juramento tornando-se parte integrante da família da Misericórdia. Maria Amélia Afonso Gil Moutinho Garcez, natural do Fundão, é umas das personalidades a ser agraciada. Aos 99 anos, completados no dia 7 de setembro de 2022, testemunha a “enorme honra” em ser medalhada por “uma instituição que desde sempre dá assistência a quem precisa e é das instituições mais bonitas do Fundão”.

A Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) assinala do dia 24 de setembro o Dia da Irmandade. A data é habitualmente celebrada no Dia de Nossa Senhora da Visitação, padroeira das Misericórdias, mas desta vez o encontro fraterno de irmãos e funcionários da secular instituição acontece na entrada do solstício de Inverno.

Além da celebração eucarística, de um concerto com a Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) e de um convívio entre pares, o programa contempla a atribuição de medalhas de reconhecimento aos funcionários que completam 25 anos de trabalho e dedicação à Misericórdia do Fundão.

O Dia da Irmandade da SCMF é também uma jornada de júbilo e enaltecimento dos valores de Misericórdia. Nesse contexto é habitual distinguir, com medalhas, as pessoas que há mais anos integram a organização de índole social. Serão agraciados irmãos e irmãs que completam 50 anos de dedicação à SCMF.

De entre as pessoas a homenagear destaquem-se homens e mulheres que no princípio da década de 1970 fizeram juramento tornando-se parte integrante da família da Misericórdia. Maria Amélia Afonso Gil Moutinho Garcez, natural do Fundão, é umas das personalidades a ser agraciada. Aos 99 anos, completados no dia 7 de setembro de 2022, testemunha a “enorme honra” em ser medalhada por “uma instituição que desde sempre dá assistência a quem precisa e é das instituições mais bonitas do Fundão”.

Recuando ao ano de 1971, Maria Amélia Gil tem uma “vaga ideia” da celebração em que “todos foram muito simpáticos” com o gesto que lhe abriu as portas que a tornaram irmã de pleno direito, tendo participando “ativamente” em momentos solenes da vida da SCMF. Desde as solenidades da Semana Santa, das quais recorda “as mais graciosas memórias”, até aos cortejos de oferendas para a construção do novo hospital do Fundão, Maria Amélia Gil também se lembra do crescimento e mudanças estratégicas da SCMF.

“As procissões eram e ainda são um marco na vida do Fundão”, enfatiza. “Eram as pessoas mais distintas que levavam o esquife, um deles era o meu tio José Mendes Gil que fundou o colégio particular na Casa dos Macedos, onde fui aluna com Amélia Neves, Maria Estrela e outras de que não me recordo”.

Memórias na conversa em que também nos debruçámos sobre vivências com outras irmãs da SCMF que irão receber a medalha dos 50 anos na Irmandade da Misericórdia: “Mécinha (Mécia) Alves, Isabel Gascão…. são muito mais novas. O Belarmino Barata, filho, é muito meu amigo e gosto muito dele. Também me recordo do pai, professor, um homem inteligente, muito culto e interessado por todos os assuntos do Fundão. A esposa, Judite, também”.

De volta à temática das procissões, Maria Amélia Gil fala com um brilho no olhar dos rituais à volta da procissão do Senhor da Cana Verde e da procissão do Senhor dos Passos destacando o enterro do Senhor como “a mais imponente”. “As ruas ficavam cheias de gente, despertava-nos, fazíamos gala no melhor cenário das Ermidas”. “O mais bonito era o da minha capela, em São Francisco”, recorda quem já não participa nos cortejos. “Estou velha, há uns 15 anos que não vou à mais comovente das procissões”, diz-nos.

Embora já não se lembre do nome de todos os provedores que lideram as várias transformações da Misericórdia, Maria Amélia Gil verbaliza vivências dos tempos em que “o antigo albergue era dinamizado pelas irmãs Franciscanas Hospitaleiras, onde eu gostava de ir às missas” ou do nascimento da escola de música da SCMF. A AMDF onde “muitas crianças aprenderam música, filhas e netos de amigas minhas iam às aulas no antigo hospital e no antigo jardim-de-infância”, dando “muito interessantes espetáculos”.

Fã de Beethoven e apreciadora do percurso da pianista Maria João Pires, Maria Amélia Gil, recorda-se de outros concertos e momentos culturais realizados no Casino Fundanense ou no Cinema Gardunha. “No Casino, o meu pai tinha lugar marcado e foi onde mais me diverti, às vezes assistíamos a espetáculos de orquestras que vinham de fora”. “Dançávamos toda a noite”, afirma, lembrando momentos gloriosos como a noite em que a atriz e encenadora Amélia Rey Colaço veio ao Fundão.

À conversa com o «Santos da Casa», na Quinta Pedagógica do Fundão, outra obra da SCMF que enaltece, recupera a lembrança do chá com as “boas amigas” e irmãs da SCMF Maria de Lourdes Paulouro ou “Emilinha” Maia. De caminho fala-nos com emotividade de outras senhoras influentes na comunidade fundanense: Maria do Carmo Mendonça e Maria Luísa Nabinho estão entre as pessoas com quem viveu as “mais eternas cumplicidades”, verbaliza quem agora se sente “acabrunhada e sem energia para sair de casa regularmente”.

A nonagenária mãe de três filhos e avó de netos e bisnetos foi uma cozinheira de mão cheia e até nos consegue identificar mediáticas mestres da culinária como Bertha Rosa Limpo de quem ainda guarda um volume do «Livro de Pantagruel». E quando lhe pedimos que nos recomende uma receita tradicional do Fundão e habitual prato no cardápio das reuniões da família Gil, Maria Amélia deixa-nos com água na boca explicando como cozinhava lampreia. “Fazia-a inteira, não enrolada, com um molho especial, colocava-a a ferver” conta-nos sobre um produto que habitualmente comprava ao peixeiro Jana na Praça do Fundão, que “era por baixo do Casino, onde hoje são serviços do Município”. “O Jana também vendia nas ruas do Fundão, trazia a lampreia pendurada no braço”, acentua, bem-disposta.  

A melhor gastronomia do Fundão chegou a estar à mesa na Casa do Bico. Neste particular, Maria Amélia Gil recorda o primeiro proprietário (do imóvel) e médico D. Fernando de Almeida. Depois, quando transformada em Estalagem da Neve, ocorrem-lhe as “muito más memórias morais”, de Maria da Piedade (madame) Calado, que alegadamente promoveu negócios associados à prostituição. “Um escândalo à época”, conta em tom de lamento.

Fã de feiras, cortejos de oferendas e da Santa Luzia, recupera a lembrança da vez em que “um carro transportava um alcatruz” e deu nas vistas nos cortejos de angariação de fundos para o hospital onde o pai Alfredo Mendes Gil foi conceituado médico. Sobre o estado de esvaziamento do Hospital do Fundão, demonstra preocupação, quanto à perda de valências e serviços mas congratula-se por há muito tempo não precisar de ir à unidade hospitalar.

“A senhora dona Maria Amélia é uma pessoa autónoma, lúcida, muito saudável e quase não toma medicação”, conta-nos a “governanta” da família Gil Moutinho Garcez.

Atendendo à longevidade que a caracteriza, Maria Amélia Gil que pretende continuar a morar em sua casa, “não gostaria de ir para um lar”, a menos que fosse “um lugar onde pudéssemos ter vida social, usufruindo de convívios, passeios e idas a concertos e outros momentos culturais”, diz-nos irradiando saúde. Portadora de uma simpatia contagiante, a nossa interlocutora acentua a vontade de voltar a viajar: “Fui a muitos países, não cheguei a ir a Inglaterra”, conta sublinhando “antipatia” pela “monarquia condicionada”, enquanto conversávamos sobre o falecimento da Rainha Isabel II e as “dificuldades e determinação na gestão da causa real”.

“Grata a Deus por ter chegado aqui, com saúde algum juízo”, Mara Amélia Gil considera-se uma católica cética pois embora acredite em Deus, “como força maior”, a igreja “não tem sabido evitar desgraças” que “a permissão do casamento impossibilitaria”.

Relatos de vida de uma mulher de família, dona de casa, preocupada com a secundarização da relevância feminina no mundo. “As mulheres podemos ser tudo o quisermos, desde a maternidade até às mais altas patentes”, define Maria Amélia Gil que tem na cientista Marie Skłodowska-Curie (Madame Curie), “uma das mulheres raras no mundo pelas invenções na física e na química”.

Localmente tem estima e admiração pela professora universitária e escritora Maria Antonieta Garcia de quem leu o livro sobre Beatriz Ângelo (https://www.jn.pt/nacional/a-primeira-eleitora-da-peninsula-iberica-1535417.html). “Um livro sobre política”, descreve quem deixou recentemente de ler por “falhas na visão”.

Voos e sonhos de antigos alunos da Academia de Música do Fundão

Têm entre 20 e 22 de idade e um percurso de aprendizagem no ensino artístico iniciado na Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF). Por estes dias regressam à cidade onde se fizeram mulheres e homens para partilharem com a comunidade local, familiares e amigos, destas e de outras paragens, um conjunto de atuações que haverão de enriquecer-lhes a performance, elevando-lhes o ego.

Este dia reunimo-los no jardim mais central da cidade do Fundão, numa conversa informal e descontraída ficamos a saber por onde têm andado Margarida Gavinhos Pacheco, Laura Alves, António Antunes e Manuel Toucinho que juntamente com o também jovem estudante universitário e pianista Filipe Gaio Pereira irão preencher o ciclo de recitais que acontecem de hoje, sexta-feira dia 22 de julho, até domingo, 24 de julho no Casino Fundanense.

A sala, outrora lugar de bailes que também já foi “museu” da imprensa, receberá à tarde e à noite o talento de quatro antigos alunos da AMDF- escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.

António Antunes, Laura Alves, Manuel Toucinho, Margarida Gavinhos e Filipe Gaio

Entusiasmados e cheios de energia, Margarida, Laura, António e Manuel prometem um reportório “eclético”, demonstrando-se confiantes na adesão do público a este regresso à sala onde, em outras ocasiões, se apresentaram como alunos da AMDF.

A ideia dos recitais partiu de Margarida Gavinhos Pacheco, licenciada pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e quase de malas aviadas para iniciar o mestrado, via ensino, na Universidade de Aveiro (UA). Inspirada pelo professor na UA e pianista João Bettencout da Câmara, com quem chegou a frequentar uma master classe promovida pela AMDF, Margarida Pacheco  que foi aluna do pianista Jorge Moyano tem um sonho maior que passa por “estudar no estrangeiro, melhorando a performance” que fará da jovem uma pianista concertista pronta para rasgar horizontes.

Um percurso que, nas suas palavras, privilegiará a participação em concursos que “me fazem crescer”, melhorando a prestação que este Verão lhe valeu um 3º prémio no Festival de Piano Serra da Estrela, realizado em Seia.

Também o guitarrista Manuel Toucinho, mestrando numa universidade em Genebra, denota entusiasmo quanto aos recitais em que participa. Empenhado em melhorar a performance como executante de guitarra clássica, Manuel que recentemente obteve o 1º prémio de nível superior no Festival Internacional Cidade do Fundão, irá, nos próximos tempos, dedicar-se à participação em concursos internacionais em Espanha, Itália ou Suécia pois sabe que o palmarés já alcançado – no qual merece ênfase um 2º prémio no Concurso Jovens Músicos da RDP 2 em 2021 – requer “responsabilidade e aperfeiçoamento” pois “ninguém fica igual depois de cada atuação”, conclui.

Os prémios e participações em concursos também caracterizam o percurso do jovem estudante na licenciatura em piano, variante execução, António Antunes. Focado no recital que também irá realizar no Casino Fundanense, o aluno da ESML conta-nos que depois de concluir a licenciatura, pretende realizar um mestrado que lhe possibilite dar aulas, ao mesmo tempo que sonha desenvolver “investigação aprofundada” sobre reportório.

António começou a estudar música aos três anos de idade e na AMDF, onde iniciou a descoberta do seu talento, além de aprender piano e ter conquistado prémios também integrou o Coro de Câmara da escola onde gosta de regressar sempre que a vida lho permite. Um estado de alma e entusiasmo que se repete quando nos recorda a relação que mantém com o «Grupo de Música Popular Senhora do Mosteiro», no Freixial – Freguesia do Telhado (Fundão). Num registo de humildade e amor às raízes, António Antunes enaltece a importância do reportório genuinamente beirão, vincando que “também aprendo com as pessoas” que integram o Grupo de Cantares da sua terra.

A geografia de berço continua a entusiasmar qualquer dos quatro antigos alunos da AMDF que gostam de voltar ao Fundão e acreditam que o ciclo de recitais que agora estão a realizar, poderá ter continuidade. Laura Alves é a antiga estudante da AMDF que regressa menos vezes “do que gostaria” e isso deve-se ao trabalho que tem vindo a realizar em Lisboa. Além da licenciatura em canto lírico na ESML, Laura não deixa escapar as oportunidades. Em 2021 foi desafiada por dois dos seus professores, líderes da companhia «Operar-te», a participar na ópera «Don Giovanni». https://cm-beja.pt/pt/4660/don-giovanni.aspx

“Além do papel relevante enquanto Zerlina, foi o trabalho que mais exigiu de mim, ocupando-me o Verão inteiro, mas dando-me mais algum traquejo”, explicou a jovem que no percurso académico participou ainda num projeto extracurricular com Carlos Baltazar e Cláudia Anjos que além de “créditos para concluir a licenciatura” passou as fronteiras da ESML, ficando em cena no Belém Clube, também em Lisboa. Tratou-se da ópera «Threesomes» de Menotti e Heggie. https://www.agendalx.pt/events/event/threesomes/

Sorridente e cheia de vigor, Laura Alves afiança tratar-se de uma experiência que “pretendemos continuar”, enriquecendo-a enquanto cantora lírica cujos sonhos também passam por “melhorar a performance de canto lírico no estrangeiro”. Enquanto outros voos não ganham asas, Laura Alves mantém o projeto de parceria, iniciado há ano e meio, com o também estudante na ESML, mas em piano, Filipe Gaio Pereira que a acompanhará no recital de dia 23 às 21 horas no Casino Fundanense.

Além do duo Laura e Filipe, o ciclo de recitais contempla as seguintes atuações: sexta-feira, 22 de julho às 21 horas piano com Margarida Gavinhos Pacheco; sábado 23 de julho às 18 horas guitarra clássica com Manuel Toucinho; domingo 24 de julho às 18 horas piano com António Antunes.

Eufónio dá Menção Honrosa a aluno da AMDF

Bruno Alves, aluno de primeiro ano de ensino articulado na Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) foi contemplado com uma Menção Honrosa no III Concurso de Eufónio e Tuba promovido pela Associação Portuguesa de Tubas e Eufónios.

Bruno Alves é aluno nas classes do professor Mauro Martins, está muito satisfeito com um reconhecimento que “gostaria de continuar a melhorar”, pois “posso fazer mais e melhor”, referiu o estudante de 5º ano do ensino articulado na Escola Básica João Franco, no Fundão.

A relação de Bruno Alves com o eufónio começou nas provas de admissão à Academia de Música e Dança do Fundão, quando experimentou os instrumentos de sopros e se identificou com o eufónio que já lhe valeu uma distinção.

Na competição on-line, realizada recentemente, Bruno Alves apresentou uma peça da banda sonora do filme Titanic.

Aos 10 anos de idade, Bruno Alves conta-nos que a descoberta da música o acompanha desde sempre na medida em que o pai é instrumentista na Banda Filarmónica União de Santa Cruz em Aldeia Nova do Cabo.  

Além de aluno na AMDF, Bruno Alves, frequenta desde há quatro anos a escola de música da Filarmónica de Aldeia Nova do Cabo.

Bruno Alves

O Concurso Internacional de Música do Fundão

Ao fim de 20 edições e com um interregno de dois anos, imposto pela pandemia Covid-10, o Concurso Internacional Cidade do Fundão passou a estar integrado num Festival que além da componente competitiva acrescentou à iniciativa cultural um programa formativo que assentou em master classes e palestras de empoderamento dos jovens músicos que se reuniram no Fundão.

Uma oportunidade para perceberem como devem agarrar as oportunidades que se seguem ao percurso de ensino e que muito podem valorizar as suas carreiras e o território onde estão inseridos.

O Concurso propriamente dito reuniu, desta vez, menos participantes do que era habitual mas foi entendido como uma oportunidade para melhorar o desempenho técnico e performativo com direito a prémios. Terá sido essa a motivação de muitos jovens portugueses a estudar em universidades estrangeiras que vieram ao Concurso promovido pela Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF).

Lucélia Cruz veio do Conservatório Nacional de Lisboa, desafiada por uma professora, e na estreia em concursos desta natureza levou para casa o primeiro prémio de nível B e a entrada direta para a realização de dois concertos: Um no próximo Festival Internacional Cidade do Fundão e outro no Festival Internacional de Música de Paços Brandão. “Nunca tinha vindo ao Concurso Internacional do Fundão mas vou recomendar aos meus conhecidos”, disse Lucélia Cruz no final do concerto de laureados.

Lucélia Cruz na entrega de prémios

Também José Carlos Carreiro que veio da Costa da Caparica e estuda mestrado na Áustria, recomenda o concurso do Fundão, competição, onde já veio seis ou sete vezes, que considera “uma boa experiência de aprendizagem para quem estuda guitarra em Portugal”. José Carlos Carreiro acrescentou que o concurso “é um marco para quem quer melhorar a prestação junto de um júri bastante exigente”.

A mesma linha de abordagem nas palavras de Manuel Toucinho, estudante de mestrado em Genebra, primeiro classificado no nível E, contemplado com a realização de dois espetáculos no próximo Festival Internacional Cidade do Fundão e no Festival Internacional de Música da Primavera em Viseu.

Manuel Toucinho realizou todo o percurso de ensino regular na AMDF, escola de ensino artístico igualmente frequentada pelo aluno de guitarra Afonso Gregório. Três anos depois de iniciar o percurso no ensino articulado de guitarra concorreu ao Concurso promovido pela AMDF e conquistou uma Menção Honrosa que encara como “um incentivo para continuar a estudar, melhorando a performance e técnica”.

O grau de exigência do Concurso do Fundão é uma das características sublinhadas por todos os intervenientes que enfatizando a adesão de estudantes de nível superior sugerem  que em próximas edições seja possível atualizar o reportório de peças obrigatórias do concurso por forma a “facilitar o trabalho junto dos professores”, conferindo às provas competitivas maior diversidade de concorrentes mais jovens.

A opinião de Jed Barahal do júri de violoncelo é reforçada pelas palavras de Quitó Antunes do júri de guitarra que propõe ainda uma reflexão sobre o método de seriação dos candidatos que no novo formato do Concurso passou pelo envio de vídeos com as peças obrigatórias.

O Festival Internacional Cidade do Fundão regressa em 2023, a componente competitiva deverá destinar-se a estudantes de piano e violino, variantes que não fizeram parte do modelo do presente ano de 2022.

O evento é organizado com o patrocínio da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, entidade tutelar da AMDF, e Câmara Municipal do Fundão.

Campus Tecnológico das Tílias – Assinatura de Protocolos

O Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF), Jorge Gaspar, assinou esta sexta-feira, 8 de julho, os protocolos com a empresa LABSXD Portugal com vista ao desenvolvimento de projetos de natureza empresarial e habitacional que irão transformar uma das áreas nobres da entrada sul na cidade do Fundão.

Os protocolos também assinados pelo presidente do Município do Fundão, Paulo Fernandes, permitirão desenvolver em parceria com o Município do Fundão, um projeto integrado, que engloba e liga as componentes turística, habitacional, formativa e laboral, no denominado Campus Tecnológico Integrado das Tílias.

Nos termos dos acordos, a SCMF vende ao Município do Fundão 3.500 metros quadrados de terrenos junto ao Jardim das Tílias onde se encontra um imóvel que será recuperado para albergar serviços.

O segundo acordo prevê a venda à empresa LABSXD, na parte superior a sul da variante às Tílias, do loteamento para construção de edifícios multifamiliares que se destinam a habitação de diversas tipologias.

De igual modo, o projeto integrado, que dará nova vida a um dos mais emblemáticos espaços urbanos do Fundão, consistirá na cedência por 25 anos do edifício e espaços da Estalagem da Neve em que o Município do Fundão se obrigará a pagar uma renda mensal de 3.500 euros, bem como à requalificação de todos os imóveis que constituem o empreendimento.

Jorge Gaspar (Provedor SCMF) com Guillermo Damián Benzaquén e Carlos António Limeres ( sócios LABSXD)

A Casa do Bico continuará a ser um espaço de restauração, lazer e acolhimento e o edifício onde antigamente se realizavam os eventos de maior escala passará a ser um espaço de formação e incubação de empresas.

A cerimónia protocolar teve lugar no salão nobre do Município do Fundão e foi considerada um momento histórico no trajeto de criação de emprego tecnológico, refuncionalização de património e concretização de atrativos para a fixação de pessoas no concelho.

A LABSXD é uma marca de capitais estrangeiros com representação em países como Argentina, Chile, Espanha, México, Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Perú e Portugal.

No nosso país a empresa de base tecnológica opera a partir do Fundão, pretendendo nos próximos anos criar 450 novos postos de trabalho.

Educadores e Crianças Felizes

Um misto de alegria e saudade marcou a celebração de final de ciclo para os 24 finalistas do jardim-de-infância da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) que no dia 23 de junho se reuniram na Quinta Pedagógica do Fundão para a festa de entrega de diplomas.

Um diploma no final do ensino pré-escolar é sinónimo de festa, mimos e uma bênção de afetos que ficará para sempre na memória das crianças, educadoras e encarregados de educação. Basta uma palavra, um gesto mais terno, uma surpresa arrebatadora e logo se soltam as lágrimas de alegria e emoção de educadores e famílias cujo batimento cardíaco aumenta consideravelmente sempre que se observa o grau de conhecimento e crescimento da gente de palmo e meio que já tem capa, diploma e outros adereços comprovativos do fim de um ciclo de aprendizagens e descobertas.

No Jardim de Infância da SCMF os últimos três anos foram dedicados às tradições e etnomusicologia no mundo. “Uma viagem por diferentes continentes, fazendo jus aos navegadores portugueses e às suas descobertas”, explicou a diretora Amélia Nunes no dia em que uma vez mais se comprovou como a música é uma linguagem universal.

À história e estudo das músicas no mundo o jardim-de-infância juntou, nos últimos três anos, uma causa maior: A sustentabilidade do planeta. No espetáculo de final de triénio ficou demonstrada a aprendizagem das crianças que mergulharam na reciclagem, aproveitamento e transformação de materiais dando origem a instrumentos musicais que fazem a história da música.

Foi um desafio para crianças, educadoras e auxiliares cuja dedicação e labor foram expostos na bonita celebração de um final de ciclo.

Uma festa de braços abertos, música, dança e a certeza de que “as nossas crianças serão protagonistas de outras experiências e aprendizagens” numa viagem que haverá de transformá-las em pessoas adultas que não esquecerão o primeiro encontro com a aprendizagem.

Emocionada até às lágrimas a diretora do jardim-de-infância, num gesto replicado pela educadora Paula Costa e auxiliares do “colégio”, formulou votos de bons voos à próxima geração de pequenas grandes mulheres e homens cujo desígnio de inquietação e curiosidade, sobre o mundo, começou na resposta educativa de ensino pré-escolar da SCMF.

A festa foi tão intensa e enérgica como as memórias que ficam de três anos em que nem a pandemia Covid-19 reduziu o empenho, dedicação e partilha de crianças e educadores.

Um orgulho!  

Misericórdia do Fundão recebe a maior fatia PARES 3.0

A Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF), foi uma das 13 instituições do distrito de Castelo Branco que na terça-feira, dia 21 de junho, recebeu os contratos de comparticipação financeira no âmbito do PARES 3.0 correspondentes a duas candidaturas submetidas ao Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES).

A aprovação das candidaturas traduz-se num apoio global superior a 5 milhões de euros destinados à transformação do hotel «Príncipe da Beira» numa estrutura residencial para idosos e à modernização e ampliação do antigo Lar da Misericórdia, também na cidade do Fundão.

As obras de adaptação do hotel estão em curso, a seu tempo será lançado o concurso público com vista à remodelação do Lar da Misericórdia. “Estamos a tratar do caderno de encargos, afinando os projetos da especialidade, creio que estaremos em condições de lançar o concurso público no final do Verão para que a obra possa iniciar-se no princípio do próximo ano de 2023”, disse Jorge Gaspar, provedor da SCMF.

Jorge Gaspar , Provedor da SCMF ladeado pelo presidente do Município do Fundão, Paulo Fernandes e pela Secretária de Estado da Inclusão e pelo Diretor Regional do Instituto da Segurança Social

A cerimónia de entrega dos contratos PARES 3.0 contou com as presenças da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social Ana Mendes Godinho, da Secretária de Estado da Inclusão Ana Sofia Antunes e do Diretor Distrital do Instituto da Segurança Social Nuno Maia. 

No distrito de Castelo Branco, ao abrigo do PARES 3.0 24 respostas sociais recebem um apoio publico global superior a 12 milhões 161 mil euros para um investimento global total de mais de 19 milhões 681 mil euros.  No universo das instituições particulares de solidariedade social do distrito de Castelo Branco, a SCMF recebe a maior fatia de um bolo de investimento público que também irá beneficiar organizações como o Centro Paroquial do Alcaide, Associação de Solidariedade Social de Silvares e Santa Casa da Misericórdia da Soalheira no concelho do Fundão.

No concelho da Covilhã, receberam contratos PARES 3.0 a Mutualista Covilhanense e a Fundação Anita Pina Calado.