Mulheres na Misericórdia do Fundão

No Dia Internacional da Mulher apresentamos o retrato de algumas das mais de 250 mulheres que exercem a sua profissão nas mais variadas respostas de natureza social, educativa, agrícola e de saúde da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Mulheres de várias idades, com responsabilidades distintas, rosto e papéis sociais diversos.

Pessoas com vida própria e que a pandemia Covid-19 transformou. Cuidadoras natas, as mulheres no universo Misericórdia, vivem desde há um ano um período de enorme desgaste físico e psicológico. Muitas das nossas mulheres têm passado os últimos meses mais afastadas da vida pessoal. A missão que desempenham reveste-se de maior exigência e dedicação.

Neste breve tributo às mulheres na Misericórdia do Fundão, pretendemos dar-lhes voz partilhando com a comunidade os seus desejos e ambições. Todas manifestam regozijo quanto à importância da Santa Casa da Misericórdia do Fundão na vida de cada uma.

Consensual é também o sentimento de fazer bem, ao próximo, cuidando.

Etelvina Moco Serra de 65 anos é auxiliar de geriatria na Instituição onde trabalha desde 2004. Sempre gostou de acrescentar valor ao seu percurso profissional iniciado como costureira. Natural de Malhada Velha, anexa de Bogas de Cima, Etelvina Serra,  chegou a liderar uma equipa nas confeções Massito, realizou um curso profissional de geriatria e entrou na Misericórdia como voluntária. Hoje sente-se realizada pelo trabalho que todos os dias lhe preenche o tempo: Cuidar de idosos. Iniciou-se na Unidade de Cuidados Continuados onde ainda se mantém com um sentimento de dever cumprido. “Estou muito feliz com as minhas responsabilidades, às quais me entrego de corpo e alma. Trabalhar com idosos é gratificante pois sentimos que todos os dias ajudamos alguém”, descreve a profissional à beira da aposentação. “Aqui entregamo-nos de corpo e alma ao compromisso com quem mais precisa”, sintetiza.

Ajudar idosos e dependentes é também a ocupação de Lurdes Parente, auxiliar de geriatria no Serviço de Apoio Domiciliário e Centros de Dia da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Há 19 anos que iniciou, no Centro de Dia de Alcongosta, o seu percurso de apoio na higiene pessoal, habitacional e distribuição de comida, levando sorrisos a pessoas solitárias. Aos 51 anos, Lurdes Parente, diz-nos que “somos uma alegria diária com hora marcada que entra em casa de pessoas idosas ou em dificuldades físicas”. Apesar da ocupação profissional, que muitas vezes a obriga a deixar a família e o bem-estar pessoal para segundo plano, Lurdes Parente abraça cada jornada com o mesmo entusiasmo. “É gratificante sentirmos que somos parte integrante da família daquelas pessoas, percebemos que os minutos que ali passamos fazem toda a diferença na rotina delas”. Testemunha a profissional que anseia por “maior reconhecimento e mais justiça” no exercício de uma missão em que todos os dias “somos a única companhia”. Uma realidade agravada com a pandemia Covid-19 que “isolou mais pessoas”.

Sandra Cristina Duarte é mais jovem.  Aos 46 anos, a profissional de serviços gerais e apoio geriátrico exerce funções no Centro Comunitário Minas da Panasqueira há cinco. Ingressou nesta instituição secular por influência de uma amiga e pela proximidade geográfica da sua residência no Ourondo com a Barroca Grande. “Recebi uma proposta de trabalho mais aliciante, a curta distância entre casa e o trabalho permiti-me uma melhor conciliação entre a vida profissional e familiar”. Vinca a cuidadora que encara o trabalho com pessoas idosas com um sentimento de “dedicação, coragem e muita garra”. “É preciso gostarmos muito do que fazemos”, conclui Sandra Duarte.

O entusiasmo de Sandra é corroborado por Cláudia Andresson, animadora sócio cultural desde há um ano e meio nos lares da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Natural de Castelo Branco, chegou à Instituição através de um estágio profissional. O desempenho e dedicação aos utentes residentes nos lares da Misericórdia (Fundão) e Nossa Senhora do Amparo (Aldeia de Joanes) foram a oportunidade que faltava para conciliar a atividade profissional com a prática desportiva. Cláudia Andresson de 25 anos também é futsalista federada. Na Santa Casa encanta-se com as histórias de vida que diariamente ouve à população sénior. “Todos os dias acontece algo diferente, todos os utentes nos acrescentam algo que estimula o trabalho em equipa e o espírito de entre ajuda”, explica-nos.

A jovem mulher cuidadora, a quem a pandemia Covid-19 deixou marcas, afirma que o vírus a fez sentir-se “impotente” face a uma tempestade que a privou de “ajudar, sobrecarregando as colegas de trabalho”. Por outro lado foi “bastante emotivo e exigente, levou-me às lágrimas” o regresso dos utentes que estiveram infetados que ao voltarem ao lar onde vivem manifestaram vontade de “nunca mais sair de casa”. Daquela casa!

A desportista para quem o Dia Internacional da Mulher deve ser uma jornada de todos os dias, encara o 8 de março como mais uma oportunidade para lembrar “desequilíbrios de direitos e oportunidades” numa área em que “todos os dias temos de estar preparadas para responder a todo o tipo de solicitações, independentemente da nossa ocupação, por forma a colmatar carência de recursos”.

Chegar a todo o lado parece ser o espírito das mulheres que trabalham no setor agrícola da Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Natália Gonçalves e Lurdes Farinha têm 50 e 45 anos, respetivamente. Dizem que são felizes na Instituição onde, faça chuva ao faça sol trabalham na produção de hortícolas e fruticultura. É “um trabalho duro”, mas prazeroso pois “andamos ao ar livre ou estamos nas estufas e não é mau pois gerimos um pouco o nosso tempo”. Também sentimos que estamos a produzir para uma instituição que pratica “a solidariedade, cuidando de quem precisa, isso é muito importante”, sintetiza Lurdes Farinha que encara o ofício com a mesma naturalidade de quem sabe fazer outras coisas. Sobre as questões de género, Natália é mais exigente e lembra que fazendo o mesmo que muitos homens “deveríamos ganhar igual”.  

Maria Antunes Carrondo de 61 anos trabalha na Quinta Pedagógica do Fundão, onde costuma brindar os visitantes com a mestria de quem sabe o suficiente de doçaria e pão para dinamizar ateliers para crianças, deixando os visitantes com água na boca. Integrada numa equipa onde também é preciso cuidar dos animais, jardins e canteiros agrícolas, Maria Carrondo dá apoio à loja /receção da Quinta onde tem saudades das visitas e dinâmicas que a pandemia Covid-19 cancelou.  Multifacetada, a antiga costureira e empregada doméstica, adapta-se às circunstâncias que a vida lhe coloca. Lida mal com a “injustiça e incompreensão” e recomenda a todas as mulheres que façam ouvir-se exprimindo preocupações e anseios. “Façam-se ouvir, respeitem-se para sermos respeitadas”!

As conquistas da mulher preenchem o depoimento da gestora Lídia Pereira. Aos 42 anos a conimbricense, na Misericórdia há 19 anos, licenciada em gestão e administração pública é uma das mulheres das contas no universo Santa Casa. “Trabalhar no departamento de gestão e contabilidade de uma Instituição desta dimensão é bastante exigente pois a multiplicidade de respostas bem como o grau de responsabilidade social que nos caracteriza implica encarar cada dia de mente aberta para solucionar novas dificuldades, encontrando caminhos para cada novo desafio”.  Otimista e resiliente Lídia Pereira é quase uma fundanense pois vê o Fundão como “uma terra de oportunidades, onde já tenho referências e desejo continuar a trabalhar”.

A terra da cereja também tem sido sinónimo de oportunidade para Maria Isabel Leitão. Natural de Angola, 60 anos de idade, trabalha na Instituição desde 1998. Iniciou o percurso na Creche, passou pelo ISMAG – instituto superior de matemática e gestão – no Fundão, é atualmente cozinheira principal. Um dom que muitas vezes nos aconchega o estômago. Hoje é mais fácil que num passado recente, pois a pandemia colocou mais pessoas em teletrabalho, o número de refeições decreceu, logo cozinhar para 40 não é a mesma coisa que elaborar 100 refeições. Seja como for, Isabel Leitão considera-se uma cozinheira exigente que gosta do que faz. Quanto a ser mulher na Misericórdia, significa“ajudar constantemente” sentindo orgulho “nos serviços essenciais” que a Instituição realiza.

Também a médica Cátia Fernandes de 35 anos sente a Santa Casa da Misericórdia do Fundão como uma instituição de enorme relevância social. Considerando as “relações de proximidade e o foco nas pessoas como determinantes se aliadas ao conhecimento e à ciência”, Cátia Fernandes enaltece a “capacidade” de todas as profissionais de saúde da Instituição na resposta a “situações de extrema complexidade e exigência” como a presente pandemia. Ciente da dificuldade de conciliação da vida profissional e pessoal, Cátia Fernandes afirma que ser mulher na Misericórdia é sinónimo de “desafio”, cumprindo de forma competente “os vários papéis”.

Desafiante. É assim que a enfermeira Sofia Margarida Matias de 23 anos vê o ofício que desde 2019 realiza na Santa Casa. “Desde muito jovem que senti o apelo de trabalhar no lar novo que é perto da pastelaria da minha avó”, começa por explicar a jovem residente em Pêro Viseu que também é cuidadora informal dos avós. “Encarei a vinda para a Santa Casa com ânimo, pois contínuo junto da família, a cuidar de quem precisa”, afirma. Sofia Matias sente-se realizada no universo Cuidados Continuados por ser “mais evolutivo e desafiante”. “Muitos utentes chegam-nos ainda com enormes dificuldades, às vezes acamados, a serem alimentados por sonda, com bastantes limitações de locomoção”. “Observar a evolução, sabendo que fomos parte integrante na autonomia até à alta é bastante gratificante”, conclui a enfermeira.

Também a professora na Academia de Música e Dança do Fundão, Milene Alves Paulico, se sente realizada naquela resposta educativa da Misericórdia. Professora de formação musical, classes de conjunto e maestrina, Milene Paulino integra “a família” da Academia e sua “segunda casa” há cerca de 20 anos. Considera-se uma “mulher afortunada” por fazer o que gosta numa escola que conheceu como aluna e onde, como docente, sente que “valorizam o empenho e dedicação” de quem ali trabalha. “Nunca senti preconceitos ou desigualdades” na escola onde se fez mulher verbaliza a educadora que uma sociedade cada vez mais exigente dificulta a conjugação do ensino com o “bem-estar e força emocional” pois, “passamos muito do nosso tempo a trabalhar”.

Dedicação e trabalho caracterizam a educadora Maria Amélia Nunes. Aos 62 anos, 40 dos quais como educadora de infância,é das mais antigas colaboradoras na Santa Casa da Misericórdia do Fundão. Mulher sorridente e de trato fácil, sente-se realizada na rotina que lhe marca décadas ao serviço de muitas centenas de crianças. Guarda-as no coração e acredita que muitas também se recordam da educadora Amélia. “Antes de ser educadora de infância já me sentia educadora, pois sempre gostei de acolher e brincar”. “Sou do tempo em que todas as crianças brincavam na rua”. Acrescenta quem procura atualizar-se quanto a metodologias de ensino, descobrindo novos conceitos. E quando se lhe pergunta se já tem vontade de se aposentar vinca que “depois da reforma continuarei a ensinar, serei voluntária aqui ou noutro lugar” pois gosta de sentir-se útil.

Mulheres com rosto no universo da Santa Casa da Misericórdia do Fundão!

O Vírus que nos Trai

Atendendo à pandemia Covid-19 e ao Estado de Emergência que vigora em Portugal, a Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) está este ano impossibilitada de realizar, em colaboração com a Paróquia do Fundão, a procissão do Senhor dos Passos. Momento introspetivo de enorme relevância para a nossa comunidade, o emblemático cortejo, bem como os sermões do Pretório e do Calvário que no segundo domingo da Quaresma ecoam junto à Igreja da Misericórdia e à porta da Capela do Calvário no Fundão, não acontecerá.

Cientes da dimensão espiritual da celebração, assinalamos a data com uma mensagem do Capelão da SCMF, padre António Gama. Um texto introspetivo que nos faz pensar sobre a fragilidade da nossa condição humana, quando confrontada com o impacto de um vírus que já ceifou milhares de vidas e continua a condicionar-nos o passo.

“Era suposto e de tradição, neste segundo domingo da quaresma, percorrermos as ruas da cidade acompanhando a imagem do Cristo sofredor e de sua Mãe dolorosa, recordando o quadro do Calvário  de há mais de 2000 anos e revivendo, através das nossas memórias, a imagem da  caminhada que é a nossa própria vida, tantas vezes penosa, cheia de quedas, de dor e lágrimas  portando uma cruz  bem pesada.

Logo nos cruzávamos  com os Cristos e as Marias dos nossos dias, que nas janelas e varandas dum lar vinham reviver. Vergadas pelo peso dos anos, uns, outros pela doença implacável, as suas próprias caminhadas. Este ano as imagens não saem às ruas e nós somos impedidos de acompanhá-las, isto porque um “bichinho”, tão minúsculo que à vista desarmada não conseguimos vislumbrar, veio perturbar os nossos mundos, fazer ruir os nossos impérios, confinar-nos no mundo dos nossos abrigos, e levar-nos implacavelmente os entes mais queridos sem por vezes presencialmente podermos chorar as suas partidas.

Fomos à Lua, chegamos a Marte, fizemos progressos espantosos no mundo da ciência e da técnica, julgámo-nos senhores do mundo, e o referido minúsculo “bichinho” veio lembrar-nos a real condição humana. Tão insignificante quase fez parar o mundo.

Demos conta disto?

Conseguiu a ciência o necessário para quase eliminar o flagelo monstruoso e terrificante que é a lepra. Mas continua a haver os leprosos dos nossos dias: são os que vivem nos barracos das favelas das cidades ricas, são os desempregados das cidades industriais, os jovens drogados, vítimas de uma sociedade consumista; são as crianças abandonadas; são os idosos sem vez no emprego e na família, como produto descartável.

Como dizia o nosso Bispo a doença obriga a parar e, pelo menos para muitos, é oportunidade para se perguntarem pelo sentido da vida e encontrarem um significado novo e porventura uma direção também nova para sua existência. Para quantos a doença e o hospital não foram verdadeira revolução na sua vida pessoal.

Mas este mundo que Deus criou é mesmo mau ou os homens o vão estragando?

Na sua mensagem para o Dia da Paz lembra o Papa Francisco: “Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade  à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a “bússola” dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum”.

As novas do declínio da pandemia, o grosso dos novos samaritanos: médicos, enfermeiros, trabalhadores do imprescindível, prestadores de serviços, os voluntários dedicados que sacrificam por vezes a própria vida, são a luz que alimenta as nossas esperanças, a garantia que não estamos sós e que com a sua ajuda, apoiados no cajado da Fé, caminharemos o nosso caminho e alcançaremos a meta que nos foi proposta”.

P. António Gama

O Primeiro dia do resto de uma vida

“Vai seu muito positivo para todos”

A tarde de sexta-feira, 19 de fevereiro, ameaçava chuva. Embora o horizonte estivesse cinzento, a vida de três dezenas de utentes da Santa Casa da Misericórdia do Fundão conhecia uma nova etapa.

Mudavam-se de malas e bagagem para a nova Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) e estreavam-se no hotel sénior Príncipe da Beira, no Fundão.

O edifício que outrora foi fábrica de lanifícios, seminário, abrigo de crianças e hotel é agora uma moderna ERPI propriedade da SCMF.

Luísa Leitoa Rubina está quase a completar 94 anos, utente no lar Nossa Senhora de Fátima no Fundão, mudou-se para a novo hotel sénior e não cabe em si de curiosidade.

Foi das primeiras a pisar o edifício que noutros tempos, quando albergou o Seminário Menor do Fundão, inspirou nomes sonantes da literatura como Virgílio Ferreira ou Aquilino Ribeiro.

A inspiração é o sentimento que norteia as equipas. Os técnicos, profissionais de saúde e animação sócio cultural que desde o final da última semana preenchem os dias no Príncipe da Beira, são os olhos e ouvidos dos homens e mulheres que deixaram o lar Nossa Senhora de Fátima, no centro urbano do Fundão, para morarem no sopé da serra da Gardunha.

Encantada com a verdejante paisagem que avista da sala de refeições e espaço de convívio, Luísa Rubina desvia as cortinas fixando o olhar na majestosa paisagem. A curiosidade da nonagenária, que também já foi utente da SCMF no Centro de Dia de Capinha, é idêntica à de Adelina Cruz Nunes.

Natural de Castelo Novo, Adelina, sai da carrinha que transportou os utentes até ao novo lar e parece incrédula com aquilo que a porta de acesso ao lar lhe mostra. Serena e muito reservada, a senhora Adelina Nunes deixa escapar um sorriso quando lhe dão as boas vindas à casa nova.

César Serrão, profissional de desporto, e Joana Santos enfermeira recebem cada um dos novos inquilinos do antigo hotel com uma alegria impar.

Bem se vê que bebem da mesma energia e otimismo da diretora técnica de valência. Sara Alvarinhas, que também é psicóloga, geriu nas últimas semanas as emoções e ansiedade dos utentes que mudaram do lar Nossa Senhora de Fátima para o hotel sénior.

Não esconde que foram dias de alguma insegurança, pois as mudanças de espaço e rotinas trazem sempre pontos de interrogação. Quando a população alvo é mais vulnerável e de maior idade, as atenções e grau de exigência aumentam.

Nada que a transtorne: “Iniciamos hoje este desafio com muita expetativa, para técnicos e utentes. O entusiasmo deles é também o nosso num espaço completamente diferenciador, capaz de aumentar a qualidade de vida dos nossos utentes”, afirma Sara Alvarinhas.

Rosarinho Brioso é fundanense e congratula-se por passar a morar no Príncipe da Beira. Não sabe se irá usufruir do SPA mas está muito contente só por mudar-se para um edifício emblemático na história do Fundão.

Maria José Pina, também é do Fundão e mostra-se feliz, por “finalmente poder apanhar ar”. Pudera, está confinada no lar desde que a pandemia Covid-19 tomou conta da humanidade. Do alto dos seus 98 anos, dona Zezinha, confidencia-nos que gostaria de ali celebrar os 100 anos.

Paixão Tomás já chegou aos 102 anos.  É uma mulher feliz com a mudança de lar. Portadora de um entusiasmo contagiante, endireita as costas na cadeira, e bate as palmas ao pisar a soleira da porta da nova casa.

Carlos Vilela é natural do Ferro, concelho da Covilhã, viajou na mesma carrinha e à porta do Príncipe da Beira conta-nos da vontade que tem em descobrir cada recanto da nova casa.

José Francisco Alberto, Fernando Castanheira e José Pina são outros dos novos inquilinos e até já pensam nas sessões de relaxamento na piscina. O senhor Castanheira está cheio de vontade de “começar já!”.

Ana Rosa Lopes de 62 anos sempre encarou a ida para o hotel com a maior confiança. No primeiro dia, mesmo com as nuvens carregadas a ameaçarem chuva, saiu pela porta lateral e no estacionamento do hotel sénior com vistas para a serra e de acesso fácil à estrada nacional 18, esbracejou de alegria. Sorriu para si própria, dizendo que “hoje é um dia de liberdade”, pois está em confinamento desde março de 2020.

Que a liberdade tome conta do pensamento e criatividade de todas as pessoas que agora abraçam um novo projeto de apoio a idosos. Que todos os dias sintam mais energia e vontade de conhecer as potencialidades da estrutura residencial.

A vacina da esperança chegou aos lares da Misericórdia do Fundão

Aliviado e mais protegido, assim o verbalizou o primeiro utente no universo de respostas sociais da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) a ser vacinado contra a Covid-19.

José Dias Santos de 68 anos tomou a vacina na manhã desta terça-feira, 19 de janeiro. O utente da Unidade de Cuidados Continuados do Fundão considera que “o vírus não pode ser uma inevitabilidade” por isso valorizou a primeira toma da vacina. “Sinto-me aliviado e mais protegido. É como se tivesse tomado uma vacina para outra doença qualquer”, afirmou o utente natural de Orca, concelho do Fundão.

José Dias Santos foi um dos 16 utentes da Unidade de Cuidados Continuados a receber a vacina contra o coronavírus. Seguiram-se 37 utentes do Lar Nossa Senhora de Fátima também no Fundão e 55 colaboradores das duas respostas sociais.

Também esta terça-feira foram vacinados 8 utentes e 8 colaboradores do Lar Nossa Senhora do Amparo em Aldeia de Joanes. 

No próximo sábado, dia 23 de janeiro, serão vacinados 70 utentes e 55 colaboradores do Lar da Misericórdia, no Fundão. No mesmo dia serão vacinados os utentes e colaboradores do Centro Comunitário Minas da Panasqueira, concelho da Covilhã.

Posteriormente, a vacina chegará aos utentes e colaboradores do Lar de São Sebastião na freguesia de Capinha, Fundão.

A vacinação e todos os procedimentos associados são assegurados pela equipa clínica e de enfermagem do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) da Cova da Beira em articulação e apoio da equipa clínica e de enfermagem da SCMF.

A segunda dose da vacina será administrada, no mínimo, 21 dias depois da primeira toma, em data a definir pelas equipas do ACeS Cova da Beira.

O primeiro ato da vacinação no universo da SCMF foi acompanhado pelo provedor da instituição, Jorge Gaspar, pelo enfermeiro diretor do ACeS Cova da Beira Carlos Martins e pelo presidente e vice presidente do Município do Fundão, Paulo Fernandes e Miguel Gavinhos, respetivamente.

Para o provedor da SCMF, este é “o momento do início da mudança, que todos queremos que aconteça; o início da vacinação é uma luz de esperança, mas aumenta a responsabilidade de todos nós, exige que não descuidemos os cuidados e que continuemos a ser exigentes, individualmente e em grupo, fora e dentro das nossas valências, pois só assim teremos tranquilidade dentro de alguns meses”.

Redefinir movimentos para garantir segurança

Adriana, Laura, Leonor, Margarida. Eis algumas das 40 crianças e jovens que este ano estão a frequentar as aulas de ballet na Academia de Música e Dança do Fundão. Menos de metade se comparado com a frequência em ano anteriores. Efeitos de uma pandemia que tarda em largar-nos mas que obriga todas as dinâmicas a serem reconfiguradas.

Nas aulas ministradas pela professora Sílvia Tourais o entusiasmo de praticar ballet não esmoreceu mas todas as participantes vincam como o uso da máscara de proteção individual lhes dificulta a respiração e as faz transpirar mais que o habitual.

Na sala de ballet da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão acertam-se os últimos pormenores para as gravações dos momentos de dança que haverão de alimentar os concertos de Natal da AMDF. Desta vez o espaço de movimentos está confinado à sala de aulas e é preciso garantir que nenhum passo será dado em falso.

“Trabalhámos pequenos apontamentos do bailado Quebra Nozes de  Tchaikovski. Estudámos novos planos que garantissem distanciamento entre participantes, mas mantemos o entusiasmo”, refere Sílvia Tourais.

A satisfação pela chegada de um novo espetáculo é verbalizada Margarida Matos de 14 anos. Uma das entusiastas do ballet, vê na dança a fórmula perfeita para “libertar energias menos boas” arejando a mente para os desafios que se seguem.

“Gosto muito de ballet, é uma expressão corporal que me entusiasma desde os três anos, adoro participar mas a pandemia tem condicionado algumas coisas”, refere.  “É estranho, somos menos em contexto de aula, não podemos agarrar-nos”, acrescenta Margarida Matos.

A obrigatoriedade de usar máscara também é apontada como um aspeto menos confortável dos novos tempos nas aulas de ballet. Laura Proença  e Maria Ribeiro dizem que a máscara as impedem de respirar “na perfeição”. Já Adriana Garcia vinca como a utilização da máscara as faz “transpirar e ter muito calor na cara”.

Certamente que a dedicação e empenho na delicada construção de passos certeiros e seguros estará presente nos momentos em que a música e dança enriquecerão os espetáculos de Natal da AMDF que poderá acompanhar aqui https://www.youtube.com/channel/UCoLWrtOxyQYJ8yNnk9WKf2A

Preparar Concertos em Tempo de Pandemia

A resiliência humana faz-se ao palco digital, num ecrã perto de si. Aproveitem e deixem-se contagiar pela energia musical da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.

Põe máscara, tira máscara. Desinfeta, lava, carrega, descarrega, limpa, arruma, abre a janela. Tem sido assim nas nossas vidas desde há pelo menos 9 meses. E também assim acontece, há menos tempo é verdade pois as escolas estiveram encerradas, nos estabelecimentos de ensino.

Na Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) a primeira vaga da pandemia Covid-19 foi passada em casa de cada educador e educando. O programa educativo cumpriu-se e nem as aulas de classe de conjunto ficaram por realizar. Todas as pessoas se lembram ainda dos vídeos partilhados nas plataformas do estabelecimento de ensino e que foram produzidos a partir de casa de alunos e professores.

Se a experiência foi progressivamente melhorada, a segunda vaga da pandemia, já com um novo ano letivo em curso, trouxe com ela uma nova necessidade de adaptação à realidade e novas doses de resiliência e improviso.

Tem sido esse o contexto de aprendizagem e progresso nas várias dezenas de aulas ministradas em sede de Academia ou nos estabelecimentos de ensino em que professores e alunos se adaptam e concretizam ensino e aprendizagem teórica, vocal e prática.

Após tantos meses de trabalho “laboratorial” e num tempo em que todas as comunidades precisam de sinais de alegria e normalidade, a AMDF não cruzou os braços e tem vindo a desenvolver um conjunto de dinâmicas em contexto de aula que dentro de dias irá partilhar com os milhares de amigos e seguidores do percurso do estabelecimento de ensino.

Em 24 anos de história nunca a escola de ensino artístico do Fundão deixou de presentear a comunidade com recitais e concertos de Natal. Momentos ímpares que ao longo dos anos têm chegado ao âmago das pessoas que gostam de música e, fundamentalmente, admiram o trabalho educativo e cultural da AMDF.

Obviamente que não seria uma pandemia a quebrar mais que uma tradição. Um momento cultural relevante na vida de uma comunidade.

Desta vez as centenas de crianças e jovens que estudam na AMDF não irão povoar as igrejas e espaços culturais da cidade e das aldeias mas Natal é sempre Natal e a música irá ouvir-se no tempo certo, em casa de cada pessoa.

Coro de Câmara

Desta vez os concertos de Natal da AMDF irão ser transmitidos através da internet nos dias 19 e 20 de dezembro numa demonstração dedicada de alegria e espírito natalícios.

Através destes canais  https://www.facebook.com/academiamusicafundao/

https://www.youtube.com/channel/UCoLWrtOxyQYJ8yNnk9WKf2A

toda a comunidade educativa, o mundo inteiro, poderá ligar-se à mestria de execução e talentos vocais de mais de 350 músicos e cantores que a partir do Fundão ou do polo da AMDF em Penamacor irão tornar o Natal 2020 mais luminoso e cheio de esperança.

No aconchego dos lares, onde quer que estejamos poderemos ouvir e observar o resultado de semanas de ensaios. Foram muitos dias e horas fora da rotina escolar habitual em que “artistas” de palmo e meio, jovens estudantes e professores dedicados desenvolveram um trabalho de cocriação que muito orgulhará o Fundão e as gentes destes territórios onde a cultura acontece e em segurança.

Quem acompanhou as gravações dos concertos a transmitir no fim-de-semana que antecede o Natal apercebeu-se do elevado grau de exigência de quem integra um coletivo de sopros, um coro ou uma estrutura de acordeão, percussão, cordas ou guitarras.

Ninguém imagina a disciplina e esforço acrescidos para respeitar distanciamento , regras de segurança e proteção individual.

A resiliência humana faz-se ao palco digital, num ecrã perto de si. Aproveitem e deixem-se contagiar pela energia musical da escola de ensino artístico da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.

Misericórdia do Fundão abre posto de colheitas de análises clínicas e posto de testes Covid 19

A Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) em parceria com o Centro Laboratorial «Germano de Sousa» abriu esta segunda-feira, dia 21 de setembro 2020, um posto de colheitas de análises clínicas. 

O mesmo situa-se na rua Agostinho Fevereiro, número 12, na travessa que liga a Praça do Município ao largo da Igreja e Praça Velha no Fundão. 

Destina-se a utentes, colaboradores, funcionários, dirigentes e irmãos da SCMF bem como à população em geral.

O posto de colheita de análises clínicas está aberto de segunda a sábado, das 8 às 13 horas. 

Além do posto de colheitas de todo o tipo de análises clínicas, a estrutura está apta a realizar eletrocardiogramas, exames MAPA e Holter.

O posto de colheita fará também testes Covid, sujeitos a marcação prévia, para o que deverá ligar para  910 643 478 ou 275 771 222

A abertura do novo serviço da SCMF enquadra-se na estratégia de enriquecimento e diversificação do portfólio de serviços e respostas de natureza social e de saúde da instituição.  

Pensar o Outono com saudades do Verão

Chegaram as primeiras chuvas e “já temos saudades” do bulício na Quinta. A criançada num sobe e desce constante. Gralhada sem fim, correrias por todo o lado e uma alegria contagiante até para quem apareceu de surpresa desconhecendo a existência de um campo de férias de Verão na Quinta Pedagógica do Fundão.

Este ano a pandemia covid 19 “limitou-nos a liberdade de movimentos e tolheu-nos a criatividade”. Mas as dezenas de crianças do Centro de Atividades e Tempos Livres da Santa Casa da Misericórdia do Fundão saíram a ganhar deste Verão atípico pois frequentaram a Quinta quase em exclusivo. 

“Fizeram passeios de burro e de póneis, escalada e colheram o milho”, entre outras atividades diz-nos Ricardo Marques da Quinta Pedagógica.

Às vezes a criançada recolhia à geografia delimitada para o campo de férias por forma a dar lugar às crianças e famílias de turistas que no roteiro de viagem á Beira Interior colocaram uma paragem e fruição na Quinta Pedagógica do Fundão.

“Entre quem aqui esteve, de junho a setembro, e quem veio pontualmente” para carimbar o passaporte de descoberta do território importa vincar o clima de “brincadeiras em segurança que caracteriza o trabalho da equipa de monitores da Quinta”.

Entre a cidade do Fundão e a serra da Gardunha os dias grandes permitiram, inclusivamente, realizar uma aula de zumba. Atualmente já se ouve falar das boas – vindas ao Outono.

Já se trabalha na idealização de outros jogos e abordagens à vida animal e no campo. 

Enquanto isso, mal o sol volte a espreitar a Quinta Pedagógica do Fundão promoverá a colheita de frutos de Outono.

AMDF assegura financiamento até 2026

A Academia de Música e Dança do Fundão (AMDF) viu aprovado com pontuação máxima o projeto de candidatura ao concurso nacional de contratos de patrocínio para o período compreendido entre 2020 e 2026.

Nos próximos seis anos a escola de ensino artístico da música da Santa Casa da Misericórdia do Fundão tem financiamento assegurado para continuar a desenvolver o projeto educativo no Fundão e no polo da AMDF em Penamacor.

Atualmente com mais de 500 alunos a AMDF iniciará o próximo ano letivo com a segurança e certeza necessárias para garantir a qualidade de ensino diferenciador permitindo-se abranger uma significativa faixa de população em idade escolar nas Comunidades Intermunicipais das Beiras e Serra da Estrela e da Beira Baixa.

Importa referir que a nossa escola de ensino articulado da música obteve pontuação máxima nos vários parâmetros de avaliação submetidos na candidatura aos novos contratos de patrocínio com o Ministério da Educação.

Entre os parâmetros mais pontuados sobressaem o projeto educativo, regulamento interno, resultados escolares dos alunos no ano letivo 2018- 2020 bem como no plano de atividades do ano letivo 2019-2020.

No conjunto das condições de financiamento as escolas estavam obrigadas a obter uma pontuação igual ou superior a 50 pontos e a AMDF contabilizou pontuação máxima em áreas como documentos pedagógicos do estabelecimento de ensino, estabilidade do corpo docente, estratégias de inserção da escola no tecido social e cultural envolvente, participação em atividades de índole cultural na região e evolução da oferta formativa e educativa.

Faleceu o irmão Américo Vaz

A mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) vem por este meio manifestar profundo pesar pelo falecimento do senhor padre Américo da Encarnação Vaz, um homem de bem e com uma fortíssima ligação à Misericórdia.

Américo da Encarnação Vaz era irmão da SCMF desde novembro de 1971. Presidiu à Comissão Administrativa da Instituição entre 2007 e 2009.

Posteriormente integrou, até 2019, a mesa administrativa liderada pelo atual provedor Jorge Gaspar.

Firme e de enormes qualidades humanas, Américo Vaz liderou os destinos da nossa Instituição num período de enorme exigência e conturbação.

Uma vida preenchida entre o ensino e a missão religiosa e social com enfoque nas paróquias de Valverde, Donas e Alcongosta, no arciprestado do Fundão.

Personalidade incontornável da vida do concelho do Fundão, Américo da Encarnação Vaz era um homem de misericórdia. Um humanista, gestor de equilíbrios e pilar da nossa Instituição.

Em 2009 o Município do Fundão condecorou-o com a Medalha de Mérito Municipal.

Nesta hora de tristeza a mesa administrativa da SCMF manifesta gratidão e reconhecimento pelas boas práticas de diálogo e disponibilidade do irmão Américo da Encarnação Vaz. Uma perda irreparável para toda a Irmandade da Misericórdia.

Nos últimos tempos Américo Vaz foi utente da SCMF no lar Nossa Senhora de Fátima. O Funeral de Américo da Encarnação Vaz realiza-se hoje às 19 horas no cemitério de Vale d´Urso, freguesia do Souto da Casa.